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quarta-feira, outubro 14, 2026

Pesquisa da InfoJobs aponta que carreira feminina costuma travar na transição para cargos de gestão

Levantamento mostra barreira antes do topo da hierarquia

Uma pesquisa da plataforma de empregos InfoJobs revela que 49% das mulheres percebem que a carreira desacelera na transição de funções técnicas para cargos de gestão — etapa considerada a porta de entrada para posições de liderança nas empresas. O levantamento faz parte da Pesquisa Panorama da Mulher no Mercado de Trabalho 2026 e foi realizado com 1.022 profissionais, tendo sido divulgado com exclusividade ao G1.

Segundo o estudo, 20% das entrevistadas apontam que a barreira só aparece ao atingirem a diretoria ou níveis executivos. Especialistas citados pela pesquisa diferenciam dois conceitos para explicar a desigualdade de gênero nas empresas: o “teto invisível/vidro”, que impede o avanço até as posições mais altas, e o “degrau quebrado”, que representa a dificuldade de obter a primeira promoção para cargos de liderança.

Hosana Azevedo, gerente de RH da Redarbor, grupo responsável pelo InfoJobs, afirma que a passagem de cargos técnicos para funções de gestão depende menos da entrega individual e mais de visibilidade, networking interno e da confiança da liderança — fatores que historicamente beneficiaram trajetórias masculinas. Ela também ressalta que a qualificação não é o problema, citando dados do IBGE que mostram níveis médios de escolaridade mais altos entre mulheres do que entre homens no Brasil.

O levantamento aponta ainda que mais da metade das mulheres pesquisadas (54%) não está trabalhando atualmente; 21% estão no início da carreira; 17% ocupam cargos de especialista ou analista; 5% atuam em coordenação ou gestão; e 3% chegaram a liderança sênior ou diretoria.

A pesquisa analisou a distribuição de projetos estratégicos dentro das empresas, tarefas que aumentam visibilidade e influenciam promoções. Quase metade (46%) avalia que a distribuição é equilibrada e baseada em competência. No entanto, 31% dizem que mulheres recebem esses projetos, mas com maior nível de cobrança, e 23% percebem que projetos críticos tendem a ser direcionados a perfis masculinos.

Sobre o ambiente de trabalho, 45% das entrevistadas relatam precisar ter mais cautela ao se posicionar que colegas homens; 22% afirmam que o ambiente não favorece erros ou discordâncias quando se trata de mulheres; apenas 33% sentem a mesma liberdade e confiança que pares masculinos. Ainda segundo a pesquisa, 78% consideram que temas como igualdade salarial, apoio à dupla jornada e oportunidades iguais não recebem atenção suficiente nas empresas, enquanto 22% acham que essas questões são tratadas de forma adequada.

Hosana explica que a sensação de estagnação tende a crescer a partir dos 30 anos, período em que muitas mulheres buscam cargos de liderança e enfrentam decisões pessoais como a maternidade. Ela aponta também maiores barreiras em setores tradicionalmente masculinos, como tecnologia, engenharia e indústria, e maior dificuldade para mulheres de grupos minorizados.

No recorte sobre inclusão, 62% das entrevistadas acreditam que há oportunidades para mulheres pretas, pessoas com deficiência e LGBTQIA+, mas que não são igualitárias; 19% dizem que as oportunidades são distribuídas de forma equivalente.

Como recomendações destacadas na pesquisa, tornar processos de promoção mais claros e objetivos, programas de mentoria, patrocínio profissional e trilhas de desenvolvimento focadas na liderança feminina aparecem como medidas que podem reduzir vieses e ampliar reconhecimento do desempenho.

Quanto à expectativa sobre o futuro, metade das participantes (50%) se mostra otimista quanto a maior igualdade salarial e oportunidades mais equilibradas; 30% não esperam mudanças significativas; e 21% demonstram visão pessimista.

O levantamento reúne percepções sobre crescimento profissional e ambiente de trabalho, apontando que, para muitas mulheres, o desafio de avanço ocorre antes mesmo de chegar ao topo da hierarquia corporativa.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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