Quem: Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), com apoio do Instituto Serrapilheira, e a professora e pesquisadora Ana Paula Assis.
O que: Um projeto que investiga por que o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) tem vocalizado durante a madrugada em áreas urbanas de São Paulo, período fora do comportamento esperado para a espécie.
Onde: Diversos pontos da cidade de São Paulo, incluindo áreas de mata como o Horto Florestal, regiões urbanizadas próximas à Avenida Paulista e bairros como Paraisópolis.
Quando: Inscrições de escolas interessadas abertas até 31 de julho de 2026; o projeto está em seu segundo ano de parceria com escolas da capital e pretende ampliar a monitorização ao longo de 2026.
Como: A pesquisa usa metodologia de ciência cidadã envolvendo turmas dos anos finais do ensino fundamental. Cada escola selecionada recebe equipamentos — gravadores programados para registrar sons entre 23h e 6h e sonômetros para medir níveis de ruído em decibéis — e treinamento para instalação e coleta dos dados. A participação dos alunos é voluntária, e eles ficam responsáveis por posicionar os aparelhos, anotar coordenadas geográficas e recolher as gravações após uma noite de monitoramento.
Por que: A iniciativa nasceu a partir da observação de Ana Paula Assis, que notou cantos da espécie após a 1h da manhã. Pesquisadores levantam a hipótese de que a urbanização, em especial a poluição sonora e luminosa, tem deslocado ou fragmentado o período em que o sabiá costuma cantar — normalmente ao amanhecer — e poderiam estar alterando o ritmo de comunicação e defesa de território das aves.
Resultados preliminares da fase piloto indicam variações conforme o entorno: sabiás em ambientes de mata iniciam os cantos por volta das 5h; em locais urbanos e barulhentos, como trechos próximos à Avenida Paulista, houve registros de cantoria contínua ao longo da noite. Em contrapartida, em Paraisópolis os gravadores não captaram vocalizações, o que sugere ausência de registro de aves nessa área. Estudos internacionais, como um levantamento na Alemanha próximo a aeroportos, são citados pela equipe como referência sobre efeitos do ruído no comportamento vocal de pássaros.
O objetivo para 2026 é ampliar a rede de monitoramento envolvendo pelo menos 30 escolas na capital, permitindo cobertura geográfica mais ampla e estimulando o contato de estudantes com a natureza urbana e a observação da fauna local.
Com informações de G1




