A Petrobras anunciou que, em janeiro, enviará uma sonda de perfuração à Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, para iniciar trabalhos em três poços destinados a avaliar a viabilidade comercial da descoberta de petróleo na área. A informação foi divulgada nesta terça-feira (22) pela diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da companhia, Renata Baruzzi, em entrevista à Reuters.
A estatal obteve recentemente autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para realizar as perfurações. Os três poços fazem parte de um conjunto maior previsto no Plano de Negócios 2026-2030.
No plano anunciado em agosto, a Petrobras reservou US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 12,85 bilhões) para a perfuração de 15 poços na chamada Margem Equatorial até 2030. Segundo a empresa, esse montante representa 37,5% do total destinado à exploração no período. Três desses 15 poços aguardavam licenciamento ambiental para o início das atividades.
O Ibama tem adotado postura cautelosa ao analisar pedidos na região, exigindo estudos ambientais mais detalhados devido à complexidade do ecossistema local. Organizações não governamentais, como Greenpeace e WWF-Brasil, têm alertado para riscos ao Grande Sistema de Recifes da Amazônia — um conjunto raro de corais e esponjas — e à extensa faixa de manguezais contínuos ao longo do litoral do Amapá.
Líderes locais e representantes de comunidades tradicionais também manifestaram preocupação sobre os possíveis efeitos das operações. Entre os impactos citados estão acidentes, poluição sonora de embarcações e prejuízos à pesca artesanal, além de potenciais consequências para territórios quilombolas e para terras indígenas costeiras. Membros de organizações indígenas destacam que os calendários tradicionais de pesca e coleta dependem das variações climáticas e sazonais, o que pode ser afetado por mudanças na atividade marítima.
A Petrobras classifica o projeto na costa do Amapá como estratégico para a soberania energética do país, enquanto ambientalistas e representantes locais pedem cautela e estudos aprofundados para evitar danos a ecossistemas e comunidades que dependem dos recursos naturais da região.
As perfurações dos três poços previstas para janeiro deverão servir, segundo a estatal, para confirmar a extensão e a economicidade da descoberta, integrando-se às demais etapas do programa de exploração na Margem Equatorial.
Com informações de G1




