Os preços do petróleo registraram queda superior a 5% nesta segunda-feira (25), alcançando o menor patamar em duas semanas, em meio a um aumento do otimismo sobre um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã que poderia levar à reabertura do Estreito de Ormuz.
Horário: 7h46 (Brasília UTC-3) — Às 7h46, o barril do tipo Brent registrava recuo de 5,51%, negociado a US$ 94,69. O West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos caía 5,81%, para US$ 90,99 por barril.
No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã haviam “negociado amplamente” um entendimento que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz, rota que antes do conflito era responsável por cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e de gás natural liquefeito. Apesar das declarações, autoridades dos dois lados mantêm divergências sobre pontos considerados centrais para um acordo.
Ainda no sábado, Trump comentou as negociações, mas no domingo disse que havia orientado sua equipe a não apressar o processo. Analistas e operadores de mercado seguem cautelosos diante do histórico de tentativas semelhantes que não avançaram.
Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING, avaliou que o mercado deve manter prudência e evitar reações exageradas, lembrando episódios anteriores em que conversas promissoras não se concretizaram.
Na segunda-feira, representantes dos dois países também reduziram expectativas sobre um avanço rápido nas tratativas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que Washington espera chegar a um acordo satisfatório com o Irã ou, caso contrário, adotará outra abordagem. Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que as negociações buscam o fim da guerra e que, no momento, não tratam de questões nucleares.
Analistas ressaltam que a normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz deverá levar meses, dado o tempo necessário para reparos em instalações de petróleo e gás danificadas. Giovanni Staunovo, analista da UBS, destacou que o principal fator para o mercado permanece sendo os fluxos físicos da commodity e que o tráfego pelo estreito segue limitado.
Dados de navegação apontavam que dois navios-tanque carregados com gás natural liquefeito deixavam o Estreito de Ormuz com destino ao Paquistão e à China nesta segunda-feira. Além disso, um superpetroleiro com carga de petróleo iraquiano saiu do Golfo rumo à China no sábado, depois de ficar retido por quase três meses.
Nos Estados Unidos, a alta dos preços domésticos levou empresas do setor de energia a aumentar o número de plataformas de petróleo e gás natural em operação pela quinta semana consecutiva — movimento não observado desde fevereiro de 2025. Na semana encerrada em 22 de maio, o total de plataformas em atividade subiu sete unidades, para 558, o maior nível desde junho de 2025. A Baker Hughes informou que esse total ainda está oito plataformas abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
As negociações entre EUA e Irã e a evolução dos fluxos marítimos pelo Estreito de Ormuz continuam sendo acompanhadas de perto pelo mercado.
Com informações de G1




