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sexta-feira, setembro 11, 2026

PF diz que BRB liberou pagamentos antecipados, fracionou compras e ignorou alertas em operações com o Banco Master

Relatórios periciais da Polícia Federal, tornados públicos após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar o levantamento do sigilo, indicam que o Banco de Brasília (BRB) comprou grandes volumes de carteiras de crédito do Banco Master em operações que apresentaram sinais de irregularidades. Segundo a PF, pagamentos foram efetuados antes da conclusão de avaliações técnicas, compras foram fragmentadas para não acionar o Conselho de Administração e negociações seguiram mesmo após alertas sobre documentos e liquidez.

Início das compras e primeiros sinais de risco

Laudos técnicos do próprio BRB, de setembro e dezembro de 2024, apontaram crescimento acelerado dos ativos do Master — 83,5% em 12 meses, atingindo R$ 50,9 bilhões — e da carteira de crédito, que subiu 81,6% para R$ 21 bilhões. A provisão para perdas aumentou 82,9% no período. Os peritos também registraram Índice de Basileia classificado como “muito baixo”, caixa inferior a 10% dos depósitos e forte dependência de plataformas de investimento.

Pagamentos antes das análises

A perícia analisou 84 compras de carteiras destinadas a pessoas físicas, totalizando R$ 17,58 bilhões, e identificou que, em 22 operações somando R$ 7,63 bilhões, ao menos uma avaliação técnica obrigatória foi finalizada apenas após o desembolso. Em termos relativos, essas operações representam 43,41% do montante examinado.

O laudo cita exemplos: em novembro de 2024 houve pagamento de R$ 209,32 milhões um dia antes da autorização da diretoria; em janeiro de 2025, um repasse de R$ 473,49 milhões teve análises de Contabilidade e Risco finalizadas 11 e 14 dias depois do desembolso, respectivamente.

Fracionamento de operações e alçada decisória

A Polícia Federal aponta que o BRB dividiu aquisições em lotes de valor máximo de alçada da Diretoria Colegiada (R$ 750 milhões), evitando encaminhar a avaliação conjunta ao Conselho de Administração, cuja apreciação seria exigida para montantes superiores. Foram identificadas 25 operações que, somadas, chegam a R$ 17,5 bilhões; 21 desses atos foram precisamente de R$ 750 milhões. Em janeiro de 2025, por exemplo, quatro compras de R$ 750 milhões totalizaram R$ 3 bilhões em apenas dias de intervalo.

Os peritos interpretaram a repetição de valores e o curto prazo entre as decisões como estratégia para manter cada ato na alçada da diretoria, impedindo a análise integrada do conselho sobre a relevância econômica consolidada das transações.

Problemas em documentos, repasses e cobranças

Em fevereiro de 2025, o BRB constituiu um grupo de trabalho para examinar as carteiras adquiridas. O relatório inicial de abril constatou dificuldades para confirmar a existência e a documentação dos empréstimos: uso de dados fictícios, controles manuais em planilhas, falta de acesso a contratos, ausência de comprovação de desconto em folha e contratos gerados pelo próprio Master sem assinatura dos clientes na amostra verificada. Divergências financeiras chegaram a R$ 1,39 bilhão em valores brutos.

Mesmo após essas constatações, a diretoria do BRB autorizou mais R$ 2 bilhões em compras em abril. Durante inspeção ao Master, técnicos do BRB localizaram R$ 15,5 milhões em parcelas já pagas por clientes e ainda não repassadas; o Master transferiu R$ 14,37 milhões durante a visita. O relatório final, concluído em 19 de maio, apontou pendências maiores: R$ 265,9 milhões em repasses devidos e mais de 1 milhão de parcelas vencidas em aberto somando R$ 316,5 milhões.

Segundo o laudo, essas descobertas não interromperam as compras: o BRB pagou R$ 5,23 bilhões ao Master depois de relatórios internos que já apontavam problemas. As liberações seguiram mesmo depois de alerta formal de redução do caixa de curto prazo abaixo do nível considerado seguro; outros R$ 7,42 bilhões foram desembolsados.

Em junho de 2025, 90,31% das carteiras adquiridas pelo BRB estavam concentradas no Master: dos R$ 21,91 bilhões mantidos nessas operações, R$ 19,78 bilhões eram ligados à instituição. Em agosto, duas operações de R$ 45,9 milhões avançaram sem a assinatura do termo da transação e antes da conclusão da análise de Risco; a liquidação foi autorizada mesmo com o parecer sendo fechado seis dias depois.

Conclusão da perícia: padrão repetitivo e indícios de gestão fraudulenta

A análise pericial abrangeu R$ 47,78 bilhões em operações entre as duas instituições, das quais R$ 31,74 bilhões correspondem a carteiras vendidas pelo Master ao BRB. A perícia descreve uma série de práticas reiteradas: pagamentos antes de análises técnicas, pareceres finalizados após desembolsos, divisão de compras para manter decisões na diretoria, falta de avaliação independente dos riscos, concentração excessiva nas aquisições junto ao Master e continuidade das transferências mesmo após alertas financeiros e problemas nas carteiras.

Para os peritos, a repetição desses procedimentos e a utilização de formalidades para mascarar a decisão substancial configuram um padrão compatível com gestão fraudulenta, não apenas com gestão temerária, porque teriam reduzido sistematicamente a eficácia dos controles internos do BRB.

O material liberado pelo STF e pela Polícia Federal compõe o núcleo das investigações que seguem em andamento.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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