TRANSMISSÃO: Record
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta terça-feira (3) que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025, abaixo da expansão de 3,4% verificada em 2024. Esse resultado representa o menor avanço anual desde a queda de 3,3% registrada em 2020, no auge da pandemia de covid-19.
O desempenho veio em linha com as previsões do mercado, que já aguardavam desaceleração diante da política monetária mais apertada. A taxa Selic está em 15% desde junho de 2025, elevando o custo do crédito para empresas e famílias e funcionando como um freio sobre a atividade econômica. Para 2026, a mediana de projecções reunida pelo jornal Valor Econômico aponta crescimento de 1,8% do PIB em ano de eleições presidenciais.
Impacto do conflito no Irã
A escalada do conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã acrescenta incerteza ao cenário econômico. Analistas consultados afirmam que a principal via de transmissão é o aumento dos preços do petróleo, que encareceria combustíveis, energia e transporte e pressionaria a inflação, obrigando o Banco Central a manter juros elevados por mais tempo.
Peterson Rizzo, gerente de relações institucionais da gestora de crédito Multiplike, observa que, se o conflito se prolongar, os efeitos inflacionários e financeiros tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazos, ainda que o Brasil possa ter ganhos parciais como exportador de petróleo. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, faz avaliação semelhante, destacando que a alta persistente do petróleo poderia sustentar juros elevados e assim prejudicar a retomada da atividade.
Desempenho no quarto trimestre e por setores
No quarto trimestre de 2025, o PIB avançou 0,1% na comparação com o trimestre anterior e cresceu 1,8% frente ao mesmo período de 2024. O setor de serviços puxou o resultado da margem, com alta de 0,8%, seguido pela agropecuária, com avanço de 0,5%. A indústria, por sua vez, registrou queda de 0,7% na mesma base de comparação.
Na análise por demanda, o consumo do governo subiu 1%, enquanto o consumo das famílias ficou estável (0%). O investimento caiu 3,5% no trimestre. No comércio exterior, as exportações cresceram 3,7% e as importações recuaram 1,8%, contribuindo positivamente para o resultado do período.
Visão anual
Em 2025, a desaceleração do PIB refletiu perdas de dinamismo na indústria e nos serviços, que cresceram 1,4% (ante 3,1% em 2024) e 1,8% (ante 3,8% em 2024), respectivamente. A agropecuária teve desempenho oposto e avançou 11,7% no ano, na esteira de uma safra recorde, depois de recuar 3,7% em 2024.
Na demanda agregada, o consumo das famílias subiu 1,3% em 2025, ante 5,1% no ano anterior. O investimento cresceu 2,9%, revertendo a queda de 6,9% de 2024, e o consumo do governo avançou 2,1%, valor próximo ao de 2024. O setor externo também contribuiu positivamente: as exportações avançaram 6,2% em 2025, acima das importações, que cresceram 4,5%, apesar das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil a partir de julho.
Matheus Pizzani, economista da PicPay, destaca que o elevado endividamento de famílias e empresas explica tanto a forte queda do investimento quanto a estagnação do consumo no fim do ano, limitando os efeitos favoráveis do mercado de trabalho e da renda em expansão.
O IBGE e os analistas consultados indicam que a combinação de juros elevados, incerteza externa e possíveis choques de preços de commodities contribui para um cenário de crescimento mais moderado em 2026.
Com informações de G1




