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domingo, outubro 25, 2026

Pioneiras da seleção reconhecidas por lei seguem formando novas gerações do futebol feminino

TRANSMISSÃO: Record

Pioneiras da seleção brasileira feminina que podem ser beneficiadas por projeto de lei ligado à Copa de 2027 continuam atuando na formação de jovens atletas e no fomento do futebol feminino. Ex-jogadoras que disputaram torneios internacionais nas décadas de 1980 e 1990 mantêm trabalhos em escolinhas e projetos comunitários, enquanto aguardam a possível reparação prevista na proposta legislativa.

Márcia Honório da Silva, conhecida como Marcinha, de 63 anos, integrou a primeira equipe feminina do Brasil que ficou em terceiro lugar no Torneio Experimental da Fifa, em 1988, na China, competição que envolveu 12 seleções e serviu de base para a criação da Copa do Mundo feminina, realizada três anos depois. Após encerrar carreira de cerca de 20 anos, ela passou a atuar nas categorias de base do futsal do Juventus e hoje coordena equipes de crianças de sete a 10 anos na Sociedade Esportiva e Recreativa de Caieiras (SP).

Entre atletas que Marcelo ajudou a revelar no futsal estão o volante Nonato, atualmente no Fluminense, e o meia Rodrigo Nestor, que joga no Bahia. Um de seus ex-alunos no futsal infantil foi Matheus Bidu, hoje lateral-esquerdo do Corinthians. Os times que ela dirige são majoritariamente masculinos; no sub-7, há inclusive uma menina treinando entre os meninos.

O Projeto de Lei 1315/2026, que institui a Lei Geral da Copa de 2027 a ser disputada no Brasil, prevê o pagamento de R$ 500 mil às atletas das gerações de 1988 e 1991. A iniciativa toma como referência medida adotada durante a Copa do Mundo masculina de 2014, quando 51 campeões das edições de 1958, 1962 e 1970 — ou seus sucessores legais — receberam reconhecimento oficial.

Marcinha afirma reconhecer a importância do reconhecimento histórico e destaca que, apesar das mudanças em infraestrutura e visibilidade, valores como dedicação e disciplina continuam sendo essenciais para formar campeãs. Para ela, a reparação prevista no projeto terá impacto não só financeiro, mas também simbólico sobre a trajetória das pioneiras.

Outra ex-integrante daquela geração, Rosilane Camargo Motta, conhecida como Fanta, de 60 anos, também segue ligada ao esporte. Lateral-esquerda que participou do torneio de 1988 e de três edições da Copa do Mundo (1991, 1995 e 1999), ela hoje dá aulas de futebol para meninas no Parque Oeste, no Rio de Janeiro, e participa de ações do projeto Rio: Capital do Futebol Feminino, que oferece aulas gratuitas e tem como referência a realização do Mundial em 2027.

Fanta lembra o período em que o futebol feminino foi proibido por lei entre 1941 e 1979, e ressalta que o reconhecimento às pioneiras representa uma continuidade da luta pela valorização da modalidade. Além das atividades com as alunas, ela também obtém renda complementar com trabalhos ocasionais, e atua em vilas olímpicas ao lado de outras ex-jogadoras, como a zagueira Marisa, capitã da seleção de 1988.

As ex-atletas veem a realização da Copa de 2027 no Brasil como uma vitória simbólica e esperam que o evento contribua para aprimorar profissionalismo de clubes e federações, incentivar investimentos nas categorias de base e ampliar a visibilidade do futebol feminino no país.

Com informações de Agência Brasil

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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