Sete em cada dez brasileiros levam em conta as propostas para a educação ao escolher em quem votar, segundo o levantamento “O que a população pensa sobre a educação 2026”, divulgado em 3 de setembro de 2026. A pesquisa, realizada pelo Instituto IDEIA e encomendada por organizações do terceiro setor, também mostra que a alfabetização aparece entre as principais prioridades da população para os próximos governos.
O estudo ouviu 20 mil pessoas a partir de 16 anos, nas 27 unidades da Federação, entre maio e julho de 2026, e apresenta nível de confiança de 95% para cada uma das amostras estaduais. Entre os principais resultados, 8 em cada 10 entrevistados dizem que a alfabetização deve ser prioridade dos candidatos nas próximas eleições; quando considerada individualmente, essa defesa chega a 83% dos respondentes.
Priorização da alfabetização e do ensino técnico
Além da alfabetização, a ampliação do ensino técnico aparece como outra pauta com amplo apoio popular: 48% apontam a expansão dos cursos técnicos como prioridade, e 80% consideram importante ampliar essa oferta para criar oportunidades aos jovens. Em relação à meta de alfabetizar crianças até os 8 anos (ao final do 2º ano do ensino fundamental), 47% citam esse objetivo entre as principais prioridades.
Por outro lado, a população também percebe dificuldades. Apenas 25% concordam que as crianças estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado, e só 27% avaliam que a escola pública prepara bem os jovens para o mercado de trabalho.
Valorização dos professores
A valorização dos docentes aparece com destaque nas respostas: 53% dos entrevistados consideram que melhorar salários e condições de trabalho dos professores é uma prioridade, enquanto 37% indicam a melhoria da formação docente entre as quatro mais citadas. Quando perguntados sobre o que define uma “escola de qualidade”, 17,8% apontaram a qualidade do ensino como principal elemento e 13,1% destacaram professores e profissionais qualificados como chave.
Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social/Fundação Itaú, avaliou que os dados mostram a expectativa da sociedade de que a valorização do professor esteja no centro das políticas educacionais, garantindo formação e condições para o trabalho em sala de aula. De forma similar, Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, ressaltou que a forte demanda por prioridade à alfabetização indica reconhecimento da importância dessa etapa para as aprendizagens futuras e para o desenvolvimento escolar das crianças.
Educação em tempo integral
O modelo de educação em tempo integral aparece com níveis variados de conhecimento e adesão: 71% afirmam já ter ouvido falar de escolas públicas em tempo integral, mas apenas 38% dizem estar bem informados sobre o modelo. Entre quem conhece a proposta, 52% declararam que matriculariam ou já têm filhos matriculados nesse tipo de escola; entre os que não conhecem, esse percentual cai para 33%.
O interesse pela jornada integral é maior nas classes C, D e E, que também avaliam o modelo de forma mais positiva (51%, 49% e 49%, respectivamente) do que as classes A/B (37%). Mais da metade da população vê benefícios no ensino em tempo integral: 57% acreditam que prepara melhor para o Ensino Superior, 55% para o mercado de trabalho, e 54% entendem que permite que responsáveis trabalhem com mais tranquilidade. Redução do tempo de tela e menor exposição à criminalidade figuram entre as razões apontadas para os benefícios.
Lia Rolnik, diretora-executiva interina do Instituto Sonho Grande, interpretou que a maior manifestação de interesse nas classes de menor renda indica que essas famílias reconhecem o valor da jornada integral como espaço de aprendizagem, proteção e acesso a oportunidades que muitas vezes não existem fora da escola.
Avaliação do cenário atual
Quanto à percepção sobre a qualidade das escolas públicas nos estados, 45% avaliam como ótima/boa, e 17% como ruim/péssima. Sobre mudanças nos últimos quatro anos, 49% dizem ter percebido melhora, 29% apontam estabilidade e 17% afirmam que a situação piorou. Apesar de parte da população indicar avanços, 42% consideram que a maioria dos alunos das escolas públicas não está aprendendo o que é esperado para sua idade-série.
O levantamento conclui que a população reconhece a importância da educação e espera que o tema tenha prioridade na agenda dos próximos governos, influenciando a escolha de candidatos nas eleições.
Com informações de G1




