O Plantão da Globo celebra 35 anos nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026. A curta vinheta sonora e visual que interrompe a programação em casos de grande impacto nacional foi criada a pedido do executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e estreou em 1991.
Boni encomendou a trilha a João Nabuco, então com 25 anos, que compôs e gravou a peça em apenas um dia no estúdio de casa, tocando e mixando sintetizador, bateria eletrônica e diversos samplers por conta própria. A sequência sonora, de cerca de 10 segundos, rapidamente se tornou o sinal reconhecido de notícias urgentes.
Nem todos aprovaram a combinação de som e imagem. Mauro Borja Lopes (Borjalo), designer da emissora na época, achou que a montagem com microfones girando em torno do planeta transmitia um tom excessivamente alarmante e poderia afastar o público. Boni, porém, aprovou a proposta de imediato e dispensou outras opções.
Referência no rádio e identidade unificada
A ideia de Boni buscava recuperar o efeito que ele sentia ao ouvir, ainda criança, os sambas e chamadas do rádio sobre a Segunda Guerra Mundial, em especial o impacto de programas como o “Repórter Esso”. No início dos anos 1990, havia necessidade de padronizar os boletins extraordinários, que até então tinham trilhas distintas em cada telejornal. Para isso, Boni abriu um concurso interno entre os maestros da Globo, vencido por João Nabuco.
Com a música pronta, Hans Donner ficou responsável pelas imagens. Donner traduziu a noção de urgência em microfones orbitando a Terra, símbolo da palavra e da circulação global da notícia. O movimento dos objetos e as luzes foram calculados para gerar tensão sem perder elegância, uma espécie de “coreografia invisível” pensada para provocar a sensação de que o tempo havia parado.
Em 1997, Donner viveu um episódio que quase o transformou em matéria: sobreviveu à queda de um bimotor na Baía de Guanabara, no Rio, onde estava com a esposa, a modelo Valéria Valenssa. O desfecho favorável da ocorrência fez com que o Plantão não precisasse ser acionado naquela noite.
Como a vinheta entra no ar e seu uso atual
A decisão de interromper a programação parte da chefia de jornalismo; o acionamento final acontece na sala de Controle de Programação, no Rio de Janeiro, onde um operador seleciona a vinheta em computador e a coloca no ar com um clique. João Ramos, gerente de programação regional em São Paulo, descreve o mecanismo como um botão que muda de verde para vermelho quando ativado. Há contingência em São Paulo caso o controle do Rio fique indisponível.
Hoje, a vinheta é reservada para fatos de repercussão nacional; ocorrências locais urgentes são divulgadas por boletins regionais sem a trilha clássica. Os criadores divergem sobre mudanças: Nabuco cogita uma regravação com orquestra misturada a sintetizadores, Boni pensa em um sinal mais curto — cerca de 5 segundos — e Donner priorizaria energia visual com menos elementos gráficos.
A peça já recebeu propostas comerciais de outras emissoras, recusadas por Nabuco, que considera a trilha parte da identidade da Globo. Na internet, a melodia foi incorporada em memes, toques de celular e usos populares, reforçando sua presença na cultura brasileira.




