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sábado, outubro 10, 2026

Poder de compra de fertilizantes pelo produtor de café cai no início da adubação da safra 2027/28

Produtores de café nas principais regiões do país enfrentaram redução no poder de compra de fertilizantes em setembro, no período em que muitos iniciam a adubação da safra 2027/2028. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), de Piracicaba (SP), divulgado em boletim no dia 8 de outubro, aponta que o agrícola precisou de 19,4% a mais de café para comprar a mesma quantidade de adubo que em agosto.

O recuo ocorreu em áreas como o interior paulista e o Sul de Minas, onde o inverno foi anormalmente chuvoso em grande parte das lavouras do Sudeste. No relatório, o Cepea cruzou o Indicador Cepea/Esalq do café arábica com os preços médios dos insumos em São Paulo para calcular a variação do poder de compra.

Preços e oferta

Em setembro de 2026, o indicador do arábica operou em níveis inferiores aos observados no ano anterior, quando as cotações alcançaram picos históricos — chegando a R$ 2.700 a saca. Neste ano, os preços ficaram em torno de R$ 1.600 por saca de 60 kg para o arábica e cerca de R$ 990 por saca para o robusta, segundo o Cepea.

Clima e qualidade

O boletim destaca que o clima mais úmido no começo de setembro beneficiou a temporada 2027/28 em muitas regiões, mas que o cenário climático — especialmente a influência do fenômeno El Niño — tende a exercer forte influência sobre os preços nos próximos meses. O efeito do El Niño pode prejudicar a florada e reduzir a produção da próxima safra.

Para a temporada 2026/27, houve maior volume de produção, mas com parcela elevada de grãos com qualidade comprometida, o que limita quedas mais acentuadas nas cotações. O Cepea observou que, mesmo com entrada de lavouras renovadas, parte importante das áreas carregou alto volume em 2026/27, podendo levar muitos talhões a uma “safra zero” na sequência.

Chuvas fora do padrão registradas em julho nas principais regiões produtoras de arábica também ameaçaram a qualidade dos grãos e o padrão sensorial da bebida, com impacto nas exportações. Na época das precipitações, cerca de 30% da safra 2026/2027 ainda não havia sido colhida, ficando exposta a possíveis danos climáticos.

Consequências na xícara e no processamento

Especialistas ouvidos apontam que o efeito real das chuvas sobre a qualidade só será definido quando os lotes forem provados, beneficiados e comercializados — processo que pode levar de dois a três meses. O barista e mestre de torra Júnior Damada explicou que grãos afetados pela umidade e por fermentações indesejadas na secagem tendem a apresentar características sensoriais distintas, como notas acéticas ou amargas que alteram o padrão esperado da bebida.

Além das mudanças no sabor, a umidade e variações climáticas podem alterar densidade e tamanho dos grãos, exigindo ajustes em receitas e processos de torra e extração tanto em cafeterias quanto em torrefações.

O mercado aguarda os desdobramentos climáticos e a evolução das vendas e classificações dos lotes para definir melhor a dinâmica de preços e a estratégia de compras dos produtores nas próximas semanas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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