Transmissão: Band
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, que tem como alvo o advogado e empresário Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit, e o ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro. Equipes da corporação cumpriram mandado em Jundiaí (SP) contra empresa ligada a Magro.
Segundo a PF, a investigação apura a atuação de um conglomerado do setor de combustíveis suspeito de usar sua estrutura societária e financeira para ocultar patrimônio, dissimular bens e evadir recursos para o exterior. O Grupo Refit é apontado como um dos maiores devedores de impostos do país.
Magro, de 51 anos, é figura conhecida no mercado de combustíveis. Formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip) e com pós-graduação em direito tributário, ele comanda a antiga Refinaria de Manguinhos — hoje conhecida como Refit — desde 2008. O empresário, paulistano, mora em uma área nobre de Miami desde 2016.
O grupo chefiado por Magro é considerado o maior devedor de ICMS no estado de São Paulo, o segundo maior no Rio de Janeiro e um dos maiores devedores a nível federal. Em nota e em entrevistas anteriores, Magro negou irregularidades e afirmou sentir-se perseguido por grandes empresas do setor, responsabilizando grupos como a Cosan e seu Instituto Combustível Legal por tentativas de retirá-lo do mercado.
Em novembro do ano passado, Magro já havia sido alvo de outra megaoperação voltada a grandes devedores da Receita Federal. O nome do empresário também apareceu em investigações anteriores, como a Operação Recomeço, deflagrada em 2016 pela PF e pelo Ministério Público Federal para apurar desvios de recursos de fundos de pensão da Petrobras e dos Correios.
Magro teve ligação com o Grupo Galileo e foi citado em processos sobre captação de recursos por meio de debêntures em 2010, que, segundo o MPF, teriam sido desviados para contas de investigados. Seu nome também surgiu em fases da Operação Carbono Oculto, que investigou a presença do PCC no mercado de combustíveis; embora a Refit não tenha sido alvo de buscas nessa operação, documentos a relacionaram a um fluxo comercial supostamente usado por empresas vinculadas à facção.
A refinaria de Manguinhos enfrentou várias interdições por parte da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que apontou indícios de importação de combustíveis praticamente prontos em vez de atividades típicas de refino. O local foi interditado em setembro, reaberto por decisão judicial no Rio em outubro e voltou a ser interditado por ordem do Superior Tribunal de Justiça dois dias após a reabertura. Em julho de 2024, o Ministério Público de São Paulo mencionou a Refit em investigações sobre sonegação e adulteração de bombas de combustíveis.
Apesar das controvérsias, a empresa manteve contratos de divulgação nos últimos anos, incluindo patrocínio à NFL anunciado no ano passado e o lançamento em 2021 de uma linha de combustíveis com a marca UFC.
Com informações de G1




