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segunda-feira, outubro 12, 2026

Por que algumas pessoas usam o LinkedIn para flertar e quais os riscos profissionais

Usuários têm recorrido ao LinkedIn, rede social de caráter profissional, para iniciar investidas amorosas, segundo apuração do G1 baseada em entrevista com especialistas, relatos de trabalhadores e pesquisa da Zety intitulada “Relatório de Romance do LinkedIn”. O levantamento com mais de 1.000 trabalhadores dos Estados Unidos mostra divisão: 74% entendem que flertar na plataforma ultrapassa os limites profissionais, enquanto cerca de um em cada quatro considera aceitável usar o espaço para buscar um relacionamento.

Relatos e formas de aproximação

Nem todas as experiências foram positivas. Patrícia Gazolla, analista de recursos humanos, relatou ter recebido mensagens com comentários diretos sobre sua aparência e um número de telefone, sem tentativa de iniciar diálogo profissional — situação que a deixou desconfortável. Outra entrevistada, Julia Meireles, estagiária de marketing, contou que uma conversa inicialmente profissional acabou tomando rumo pessoal, gerando surpresa por ocorrer em ambiente voltado ao trabalho.

Resposta da plataforma e motivos da migração

O LinkedIn afirmou ao G1 que é uma comunidade profissional e que investidas românticas ou assédio violam suas políticas; a empresa informou dispor de equipes e tecnologias para remover conteúdos inadequados e orienta usuários a denunciar interações impróprias.

Pesquisadores apontam razões para a migração de contatos afetivos para o LinkedIn. João Finamor, professor de Marketing da PUC-RS, afirma que a presença de informações verificáveis — formação, histórico profissional, empresa e conexões em comum — pode transmitir mais confiança do que perfis em aplicativos de relacionamento. Para Priscila Milk, especialista em estratégia de mídias sociais e professora da ESPM, o desgaste com apps de paquera e a busca por conexões mais profundas também explicam o movimento, mas ela ressalta que aproximações sem sinais claros de interesse tendem a causar desconforto justamente por se tratar de uma plataforma profissional.

Riscos à carreira e orientações

Profissionais de RH alertam para os riscos quando o flerte acontece no ambiente profissional. Denise Rendtorff, sócia e diretora-geral da Talenses Human Capital, observa que abordagens amorosas vinculadas ao perfil profissional podem afetar a reputação no mercado de trabalho. Ela aponta situações de risco, como insistência após recusa, mensagens repetidas sem reciprocidade, comentários sexualizados ou tentativas de usar posição hierárquica para obter atenção, e recomenda medidas práticas: não responder, remover a conexão, deixar claro o limite profissional e, se necessário, bloquear, denunciar e guardar registros das mensagens.

Solange Feliciano, diretora de Comunicação e Marketing da ABRH-SP, também enfatiza a importância do consentimento e relatou ter denunciado um profissional que enviou mensagens ofensivas pelo LinkedIn. Ela alerta que, quando há vínculo profissional entre as partes, pode ser preciso recorrer aos canais internos da organização para tratar o caso, já que a reputação também se forma pelas comunicações privadas.

Especialistas e relatos consultados indicam que, embora o LinkedIn já funcione como ponto de partida para algumas conexões afetivas, a plataforma continua predominantemente profissional e a mistura das duas esferas pode gerar desconforto e consequências na carreira se não houver cuidado e respeito entre as partes.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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