A quantidade de continentes reconhecida no mundo varia entre quatro e sete, dependendo dos critérios adotados por países e organizações. No Brasil, o ensino e os exames nacionais — como o Enem e vestibulares — adotam o modelo de seis continentes: África, América (unificada), Antártica, Ásia, Europa e Oceania. No entanto, essa não é a única forma de dividir o mapa-múndi, e outros modelos também são usados internacionalmente.
Segundo o doutor em educação Sidnei Ferreira de Vares, professor de geografia da Universidade São Judas, a definição de continente combina fatores naturais e construções históricas e culturais. Por isso, não existe um critério universal: escolhas geomorfológicas, geológicas, históricas ou culturais levam a contagens diferentes.
Modelos mais comuns
Modelo de 4 continentes: é o mais estrito do ponto de vista geográfico e conta apenas blocos de terra naturalmente separados por água. Esse arranjo considera a Afro-Eurasia (ou Eurafrásia) — que une África, Europa e Ásia —, a América unificada, a Antártica e a Austrália (ou Oceania). Canais artificiais, como o de Suez e o do Panamá, não alteram essa divisão.
Modelo de 5 continentes: adotado pelo Comitê Olímpico Internacional, esse sistema foca nos continentes habitados e exclui a Antártica. Assim, enumera África, América (unificada), Ásia, Europa e Oceania — representados pelos cinco anéis olímpicos.
Modelo de 6 continentes: há duas versões principais. A mais difundida na América Latina e em países como a Grécia reúne América do Norte e América do Sul em um único bloco, resultando em África, América, Antártica, Ásia, Europa e Oceania. A outra, comum na Rússia e em parte da Europa Oriental, une Europa e Ásia na Eurásia e mantém as Américas separadas.
Modelo de 7 continentes: muito usado em países de língua inglesa e por instituições como a CIA, separa a América em Norte e Sul. Assim, a lista fica: África, Antártica, Ásia, Europa, América do Norte, América do Sul e Oceania. Essa divisão reflete mais fatores históricos e culturais do que uma distinção puramente geológica.
A existência da categoria “Europa” como continente distinto ilustra a influência de elementos não físicos: apesar de ser parte da mesma massa de terra que a Ásia, a Europa foi historicamente construída como um espaço com identidade própria, o que explica sua separação em muitos mapas. Países transcontinentais, como a Rússia, evidenciam essa ambiguidade ao ocupar territórios em mais de um desses blocos, com a maior parte do território na Ásia e a maioria da população e centros políticos concentrados na parte europeia.
Especialistas recomendam que, mais do que decorar uma contagem fixa, é importante compreender que as divisões continentais são construções históricas e culturais que variam conforme quem as define e em que contexto.
Com informações de G1




