25.6 C
Uberlândia
sexta-feira, outubro 23, 2026

Por que o lado oculto da Lua nunca é visto da Terra

Transmissão: Band

A missão Artemis II, da Nasa, lançada na última quinta-feira (1º), leva quatro astronautas em um sobrevoo lunar que passará pela face da Lua que não é visível da Terra. O fenômeno de a Lua mostrar sempre a mesma face ao nosso planeta resulta de um ajuste gravitacional que sincronizou os movimentos de rotação e de translação do satélite.

O que é a rotação sincronizada

A Lua realiza dois movimentos simultâneos: gira em torno do próprio eixo (rotação) e orbita a Terra (translação). Ambos os movimentos levam o mesmo tempo — cerca de 27,3 dias — o que faz com que a mesma região da superfície fique voltada para a Terra de forma contínua. João Batista Garcia Canalle, astrônomo e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), destaca que essa coincidência de períodos mantém a face visível sempre apontada para o nosso planeta.

Como ocorreu essa sincronização

No passado, a Lua girava mais rapidamente. A interação gravitacional com a Terra produziu um leve protuberância no satélite, um “calombo” causado pela atração desigual. Esse abaulamento, desalinhado quando a Lua girava mais depressa, sofreu atração gravitacional que funcionou como uma força de freio, reduzindo gradualmente a rotação. Segundo José Lages, professor de física, esse processo de fricção gravitacional evoluiu até igualar o tempo de rotação ao da órbita, criando um estado mais estável entre os dois corpos.

Lado oculto ≠ lado escuro

É comum confundir “lado oculto” com “lado escuro”, expressão popularizada até por obras como o álbum The Dark Side of The Moon, do Pink Floyd. O lado oculto é uma designação geométrica: refere-se à região da Lua que não fica visível a partir da Terra. Já o lado escuro diz respeito à iluminação temporária — qualquer área da Lua pode estar no escuro durante a noite lunar, e na fase de Lua Nova, por exemplo, a face visível da Terra fica escura enquanto o lado oculto está iluminado pelo Sol.

Características do lado oculto

Especialistas indicam que a face que não vemos apresenta bem menos “mares” — as planícies basálticas escuras — e é mais acidentada e repleta de crateras. A crosta nessa região também é mais espessa. Pesquisadores sugerem que diferenças térmicas nos estágios iniciais do Sistema Solar provocaram variações na cristalização das rochas, o que teria levado à superfície mais lisa do lado visível e à topografia mais irregular do lado oculto.

Implicações para a Artemis II

Como a Lua é opaca e sólida, ela bloqueia sinais de rádio provenientes da Terra. Quando a cápsula Orion passar pela região do satélite que fica voltada para longe da Terra, a tripulação ficará sem comunicação direta com a Nasa por alguns minutos, enquanto toda a massa lunar fizer obstáculo às ondas de rádio. Se a missão ocorrer conforme o planejado, os astronautas da Artemis II serão os primeiros humanos a observar o lado oculto a olho nu desde a missão Apollo 17, em 1972, e poderão registrar detalhes geológicos que ainda desafiam a interpretação completa mesmo com instrumentos orbitais.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também