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quinta-feira, outubro 29, 2026

Por que o número de endividados cresceu desde a primeira edição do Desenrola?

Quem e o quê: O relançamento do Novo Desenrola Brasil (Desenrola 2.0) foi motivado pelo avanço da inadimplência no país. Dois anos após o encerramento da primeira fase, em maio de 2024, o total de pessoas em atraso subiu 10,3 milhões, alcançando 82,8 milhões de inadimplentes.

Quando e onde: A nova edição começou no início de maio de 2026, em um momento de maior atenção do governo federal a medidas com impacto direto no orçamento das famílias, às vésperas das eleições presidenciais e em meio a dificuldades de articulação no Congresso.

Como o governo explica: Em entrevistas recentes, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, atribuiu o aumento da inadimplência a um “efeito sanfona” ligado às variações da taxa Selic e aos desdobramentos da pandemia de Covid-19, quando desemprego e renda estagnada deixaram muitos sem condições de pagamento. Durigan disse ainda que a primeira edição do programa teve impacto, mas perdeu força com a elevação dos juros.

O que apontam especialistas: Economistas e especialistas afirmam que os efeitos do programa foram temporários e que fatores estruturais explicam o crescimento dos endividados. Entre as causas citadas estão inflação persistente — especialmente em alimentos —, custo de vida elevado, renda insuficiente, crédito caro e carência de educação financeira. O economista Tiago Velloso ressaltou que o juro elevado torna o custo do dinheiro mais alto, contribuindo para a inadimplência, mas que esse não é o único fator. Ele também citou choques externos, como os conflitos no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia, que pressionaram preços de energia e retardaram a queda dos juros no Brasil.

A sócia-diretora do Grupo Mide, Milene Dellatore, destacou o papel da digitalização do sistema financeiro, que ampliou o acesso a crédito sem oferta concomitante de preparo financeiro à população.

Resultados da primeira edição (maio de 2023 a março de 2024): Segundo o Censo Nacional do programa, cerca de 14,8 milhões de pessoas foram beneficiadas. Houve R$ 53,2 bilhões em acordos e descontos, com pagamentos à vista chegando a mais de 90% dos casos. Entre os elegíveis, a inadimplência caiu 8,7%, segundo o governo. A iniciativa concentrou-se em dívidas negativadas entre 2019 e 2022 e com valor atualizado inferior a R$ 20 mil, atendendo especialmente dívidas bancárias e de cartão.

Empresas de recuperação de crédito também registraram efeitos: a Recovery aponta que aproximadamente 500 mil dívidas bancárias foram quitadas, com 290,4 mil acordos firmados e 278 mil clientes beneficiados. Helena Passos, da Recovery, afirmou que o programa liberou demanda reprimida de consumidores dispostos a regularizar dívidas quando encontram condições adequadas.

Limitações observadas: Apesar dos avanços pontuais, indicadores macro mostraram pouca melhora duradoura. O endividamento geral pela pesquisa da CNC subiu de 76,9% em outubro de 2023 para 78,8% em março de 2024. A inadimplência geral registrou recuo de 29,7% para 28,6% no mesmo período. Dados da Serasa apontaram aumento no número absoluto de inadimplentes, de 71,95 milhões em outubro de 2023 para 72,54 milhões em maio de 2024 — cerca de 590 mil pessoas a mais.

O que muda no Desenrola 2.0: A nova fase prioriza famílias de menor renda, voltada a quem recebe até cinco salários mínimos, e amplia a “desnegativação” para dívidas de até R$ 100. No primeiro balanço, o ministro Durigan informou que 449 mil dívidas foram quitadas à vista com desconto médio de 85%, totalizando R$ 154 milhões pagos de um montante de R$ 1 bilhão. Além disso, 685,5 mil débitos foram refinanciados com o mesmo desconto médio de 85%, equivalendo a R$ 1,3 bilhão refinanciados de um total de R$ 9 bilhões.

Analistas avaliam que, sem mudanças estruturais como maior educação financeira, aumento do rendimento médio e redução da informalidade, programas pontuais tendem a aliviar momentaneamente a situação, mas não eliminam a reincidência do endividamento.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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