Quem: O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a população eleitora.
O que: Trump lida com uma dissociação entre indicadores econômicos favoráveis e a percepção pública negativa, um problema que já comprometeu a avaliação de Joe Biden em 2024.
Quando e onde: A situação é analisada no contexto das semanas que antecedem as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com base nos dados econômicos mais recentes divulgados antes do pleito.
Como: Embora o PIB mostre crescimento anual de 2,2%, a taxa de desemprego esteja em 4,2% e o mercado acionário se aproxime de máximas históricas, a inflação permanece elevada para muitos consumidores. Promessas de campanha de Trump de reduzir preços “imediatamente” têm encontrado dificuldades para se concretizar.
Por quê: As razões para o descompasso com a percepção pública são distintas das enfrentadas por Biden. Enquanto a administração anterior lidou com choques decorrentes da pandemia de covid-19, a atual elevação dos preços tem relação com o aumento dos custos de energia diante do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, além do impacto de medidas comerciais e migratórias adotadas pelo governo Trump.
Pesquisas apontam que os eleitores avaliam a economia pela experiência cotidiana — o valor das compras no supermercado, o preço da gasolina e a capacidade de pagar despesas — e não apenas por indicadores agregados. Nos últimos 12 meses, o salário médio por hora subiu 3%, enquanto o índice de preços ao consumidor avançou 3,7%, ajudando a explicar a insatisfação popular.
Autoridades do governo destacam crescimento, investimentos, cortes de impostos e redução do custo de medicamentos sob prescrição como sinais de cumprimento de promessas. O porta-voz da Casa Branca, Matthew Middleton, atribuiu a redução da crise inflacionária ao “programa econômico favorável ao crescimento” da administração. O comentarista Larry Kudlow caracterizou a expansão atual como uma história de sucesso.
Alguns economistas, por outro lado, apontam que políticas do próprio governo contribuíram para a pressão sobre preços. As tarifas anunciadas em abril de 2025, apelidadas pelo governo de “Dia da Libertação”, elevaram custos ao consumidor; estudo do Federal Reserve de Nova York estimou impacto próximo a 2,9% sobre os preços de bens de consumo. Posteriormente, a administração suspendeu parte das tarifas, firmou novos acordos comerciais e enfrentou limitações impostas pela Suprema Corte quanto ao uso de poderes de emergência para tributar importações.
O choque no mercado de petróleo decorrente do confronto com o Irã também pressionou a gasolina e o orçamento familiar. Em resposta à preocupação dos eleitores, a Casa Branca tem debatido medidas como estabelecer limites para juros de cartões de crédito e sugerido a possibilidade de pagamento de US$ 5 mil a adultos americanos caso os republicanos mantenham o controle do Congresso.
O desafio político permanece: reduzir a distância entre indicadores macroeconômicos favoráveis e a percepção negativa do público sobre o custo de vida. A dúvida central às vésperas das eleições de meio de mandato é se a administração Trump conseguirá melhorar essa percepção, tarefa que Biden também não conseguiu cumprir em 2024.
Com informações de G1




