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Brent ronda US$ 105 enquanto conflito no Golfo pressiona mercados
O preço do petróleo Brent negociava perto de US$ 105 por barril nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, em meio a relatos de novos ataques atribuídos ao Irã a embarcações nos países do Golfo e à escalada do conflito envolvendo EUA e Israel, que entrou na terceira semana.
O barril de referência internacional subiu 1,6%, alcançando US$ 104,73 (aproximadamente R$ 550,19), após abertura acima de US$ 106 (cerca de R$ 556,87) e depois recuar levemente. Desde o início da guerra, o Brent acumula valorização superior a 40%. O petróleo bruto de referência dos Estados Unidos avançou 1%, cotado a US$ 99,68 (cerca de R$ 523,66) por barril, com alta acumulada próxima de 50% desde o começo do conflito.
A interrupção das rotas de navegação no estreito de Ormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo mundial — tem levado alguns produtores a reduzir operações, já que parte do petróleo não encontra destino. Em pouco mais de uma semana desde o fechamento parcial do estreito, a pesquisa da Rystad Energy aponta que mais de 12 milhões de barris de petróleo equivalente por dia deixaram de ser produzidos. A despeito disso, há relatos de que alguns navios-tanque seguiram pelo estreito, aumentando a incerteza no mercado.
“A verdade é que, neste momento, grande parte do mercado está operando às cegas”, afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management.
A Agência Internacional de Energia disponibilizou um volume recorde de 400 milhões de barris de suas reservas de emergência, medida que, segundo participantes do mercado, teve efeito limitado para reduzir a pressão sobre os preços.
Nos mercados acionários asiáticos, o índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 0,4%, para 53.609,49 pontos, enquanto o Kospi da Coreia do Sul avançou 0,6%, ficando em 5.521,17. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,1%, a 25.755,53 pontos, e o índice composto de Xangai recuou 0,7%, para 4.066,40. Na Austrália, o S&P/ASX 200 encerrou em 8.583,50, com queda de 0,4%. Taiex de Taiwan subiu 0,1% e o Sensex da Índia recuou 0,1%.
Nos Estados Unidos, os futuros operavam em alta: o contrato do S&P 500 avançava 0,5% e o do Dow Jones subia 0,4%. Na última sexta-feira, Wall Street aprofundou perdas com a alta do petróleo acima de US$ 100 por barril, pressão que alimenta preocupações inflacionárias. O S&P 500 fechou a sexta a 6.632,19, queda de 0,6%; o Dow Jones teve queda de 0,3%, a 46.558,47; e o Nasdaq Composite recuou 0,9%, para 22.105,36. Esses índices registraram a terceira semana consecutiva de perdas.
Dados econômicos divulgados também indicaram que a inflação nos EUA subiu 2,8% em janeiro na comparação anual, com o núcleo (excluindo alimentos e energia) em alta de 3,1%, o maior avanço em quase dois anos. Apesar do aperto nos preços, os gastos dos consumidores cresceram 0,4% em janeiro, com renda subindo no mesmo ritmo. A expectativa é de que o Federal Reserve não reduza as taxas na reunião de política monetária desta semana.
O dólar caiu para 159,47 ienes nesta segunda, ante 159,55 ienes, enquanto o euro subiu para US$ 1,1442, frente a US$ 1,1425.
Se a produção e o transporte de petróleo no Golfo Pérsico continuarem prejudicados, analistas alertam para riscos adicionais de aperto inflacionário global, implicando dificuldades para os bancos centrais na gestão de juros.
Com informações de G1




