O preço do feijão no Brasil registrou forte alta em maio, impulsionado pela escassez de lotes classificados como “extra” e pela redução das operações comerciais. O feijão carioca apresentou elevação de cotações, com variação conforme a qualidade dos lotes e diferença acentuada entre grãos de melhor padrão e os de qualidade comercial.
Motivos da alta
Analistas de mercado apontam que a diminuição da oferta de lotes de qualidade superior — especialmente aqueles com escurecimento lento e bom aspecto visual — sustentou os preços ao longo do mês. A disputa por mercadorias consideradas “extra” intensificou-se em algumas praças, com registros de valores chegando a R$ 510 por saca.
Impacto da liquidez
Apesar da valorização, a liquidez do mercado perdeu força. Compradores adotaram postura mais cautelosa, reduzindo o volume de negócios fechados. Indústrias, com dificuldade para repassar os aumentos ao varejo, moderaram suas aquisições, e consumidores demonstraram resistência aos preços elevados, contribuindo para a queda nas negociações.
Na segunda quinzena de maio, a colheita no Paraná aumentou a oferta de amostras comerciais, mas os valores permaneceram em patamar histórico alto. No interior de São Paulo, as referências ficaram entre R$ 435 e R$ 450 por saca, enquanto o Noroeste de Minas Gerais registrou cotações próximas de R$ 440.
Feijão preto e clima
O segmento do feijão preto sofreu mais com as condições climáticas. Geadas registradas no Paraná e em partes da Região Sul elevaram a preocupação com perdas de produção, especialmente em áreas semeadas fora da janela ideal. Estimativas iniciais apontaram possibilidade de redução de até 20% na produtividade nas áreas mais vulneráveis.
Com o avanço da colheita, parte do impulso especulativo perdeu força, mas as cotações seguiram elevadas. No interior paulista, o preço do feijão preto se consolidou entre R$ 260 e R$ 265 por saca. A liquidez continuou restrita, com vendedores relutantes e compradores cautelosos diante da incerteza sobre a oferta disponível.
Em 2026, o mercado do feijão preto permanece com oferta limitada, dependendo fortemente da produção do Paraná e sofrendo com a restrição de oferta irrigada. A qualidade da safra após o beneficiamento dos grãos será determinante para a evolução dos preços nas próximas semanas.
Com informações de Uberlandianofoco




