Preço do petróleo reage a dúvidas sobre negociações entre EUA e Irã; ataques seguem
TRANSMISSÃO: Band
O preço do petróleo voltou a subir nesta terça-feira (24), em meio a incertezas sobre a possibilidade de negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, enquanto ações militares de Washington e Tel Aviv contra alvos ligados ao Irã seguem em curso.
Na manhã desta terça, o Brent ultrapassou US$ 100 por barril e registrou alta de 3,75%, alcançando US$ 103,69, depois de ter caído mais de 10% na segunda-feira. A oscilação nos preços reflete a desconfiança de investidores quanto à efetiva realização de conversas formais entre os governos americano e iraniano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que o Irã demonstrou forte interesse em “muito fazer um acordo” e disse que teria contato “provavelmente por telefone” com representantes iranianos. Há reportagens que apontaram negociações envolvendo o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner com o presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf. No entanto, uma conta atribuída a Ghalibaf no X classificou as notícias como “fake news” e negou qualquer encontro com os americanos.
Um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse à CBS News que Teerã recebeu “pontos [para um acordo] dos EUA por meio de mediadores” e que esses pontos estão sendo analisados. A CBS destacou que isso seria uma etapa prévia a conversações, sem confirmar que negociações formais estejam em andamento.
Procurada pela BBC, a Casa Branca descreveu a situação como “fluida” e não forneceu detalhes adicionais sobre as supostas negociações. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que “estas são discussões diplomáticas delicadas e os EUA não negociam através da imprensa” e advertiu que especulações sobre encontros não devem ser tratadas como definitivas até anúncio formal.
Trump também disse que as conversas entre os dois países abrangem 15 pontos para pôr fim à guerra, com a renúncia iraniana a armas nucleares apontada como os pontos “número um, dois e três”. O presidente norte-americano afirmou que havia planejado atacar usinas de energia iranianas, avaliadas em mais de US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões), mas adiou a ação e suspendeu por cinco dias qualquer ataque após contatos com autoridades iranianas.

No terreno, a escalada militar continuou: na madrugada entre segunda e terça o Irã lançou múltiplas ondas de mísseis contra Israel, causando danos em Tel Aviv e na região central do país. A imprensa estatal do Líbano noticiou ataques israelenses a Beirute. Israel informou ter realizado uma “grande onda de ataques aéreos” contra infraestrutura em Teerã, e o premiê Benjamin Netanyahu disse, após conversa com Trump, que continuará atacando alvos no Irã e no Líbano.
Houve relatos de novos ataques aéreos no leste de Teerã nesta terça. O Comando Central dos EUA declarou que seguirá “atacando agressivamente alvos militares iranianos com munições de precisão”. Autoridades israelenses emitiram alertas para evacuação de áreas em preparação para operações contra alvos ligados ao grupo Hezbollah. Tel Aviv seguia sendo alvo de ataques nesta terça-feira, enquanto Israel atacava alvos no Irã e no Líbano.
As informações sobre negociações permanecem conflitantes entre declarações oficiais e reportagens, e os mercados de petróleo continuam sensíveis aos sinais de avanço diplomático ou de intensificação do conflito.




