Quase todos os segmentos registraram queda em abril de 2026, diz Abic
Os preços médios do quilo de diversos tipos de café recuaram em abril de 2026 na comparação com abril de 2025, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), mas o descafeinado e o café especial se destacaram com altas superiores a 15%.
O café tradicional e o extraforte registraram a maior queda, de 15,5%, com preço médio do quilo em R$ 55,34. O segmento superior teve redução de 12,6%, ficando em R$ 70,37, e o gourmet caiu 3,7%, com preço médio de R$ 106,66.
Entre outros formatos, o café em cápsula apresentou queda de 9,4%, para R$ 364,16 por quilo, e o chamado drip coffee recuou 5,2%, com preço médio de R$ 238,38. O café solúvel mostrou estabilidade, com leve alta de 0,5%, para R$ 224,99.
Na contramão do movimento geral, o café descafeinado subiu 21% em relação a abril de 2025, alcançando R$ 114,93 por quilo. O segmento especial, o mais premium do mercado, avançou 16,8%, com preço médio de R$ 161,26.
O diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva, atribuiu a alta do descafeinado ao fato de grande parte do processo de descafeinação ainda ser realizado fora do Brasil. Segundo ele, o procedimento é complexo e costuma ser feito na Suíça, o que eleva os custos de transporte e processamento, já que o café é exportado para ser descafeinado e depois retorna ao país.
Silva citou algumas indústrias brasileiras que realizam descafeinação em escala, como Cocam, Eisa e a DM Descafeinadores do Brasil, esta última apontada como a maior do país. Ele também destacou que o público do descafeinado é mais restrito, o que pesa no preço final.
Sobre o café especial, o executivo explicou que os custos maiores no campo — necessários para obter a pontuação que classifica o produto como “especial” —, a produção em menor escala e a distribuição limitada elevam o preço desse segmento. A Abic estima que o café especial responde por cerca de 1% do consumo total no Brasil e tem buscado ampliar a presença nas gôndolas em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
A queda generalizada nos preços do café do dia a dia vem após um período de aumentos acentuados entre 2021 e 2024, provocados por eventos climáticos adversos, como secas e geadas, que reduziram a oferta. Em 2024, o preço do grão subiu mais de 120%, o que levou a um repasse superior a 73% para as prateleiras em 2025 e a redução do consumo.
De janeiro a abril de 2025, o consumo de café caiu 5% em relação ao mesmo período de 2024, enquanto nos primeiros quatro meses de 2026 houve recuperação de 2,44%, segundo a Abic. A associação afirma que a recuperação começou a se desenhar em setembro de 2025, com uma florada que indicou boa produção para a safra seguinte.
Para 2026, a produção está dentro do esperado até o momento e, se as condições climáticas permanecerem favoráveis, a entidade prevê tendência de aumento do consumo e manutenção da queda gradual dos preços ao longo do ano. No entanto, a Abic ressalta que os estoques mundiais ainda estão baixos e que seriam necessárias duas a três safras muito boas consecutivas para que os preços retornem aos níveis observados em 2020.
Em um período de 12 meses, o preço do café moído ao consumidor registrou alta de 0,54%, segundo a divulgação, indicando que a inflação do produto desacelerou, mas os valores nas prateleiras continuam elevados.
Com informações de G1




