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segunda-feira, outubro 12, 2026

Prisão de Daniel Vorcaro: entenda o colapso do Banco Master e os desdobramentos da investigação

Transmissão: Record

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O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teve prisão preventiva decretada nesta quarta-feira (4) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida se insere em investigações da Polícia Federal sobre uma suposta organização criminosa que teria cometido fraudes, corrompido servidores e utilizado uma “milícia privada” para intimidar adversários, incluindo jornalistas.

O que é o Banco Master e as empresas do grupo

O Banco Master começou em 1974 como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários e, ao longo das décadas, transformou-se em um conglomerado com operações em crédito, investimentos e gestão de recursos. Sob controle de Vorcaro, ganhou visibilidade oferecendo CDBs com rendimentos muito acima da média do mercado. O Banco Central classificava o Master como conglomerado de pequeno porte (segmento S3), com cerca de 0,57% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional.

As principais entidades ligadas ao grupo incluíam: Banco Master S/A; Banco Master de Investimento S/A; Banco Letsbank S/A; Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários; Banco Master Múltiplo S/A; Will Bank (Will Financeira S.A.), adquirido em 2024 e liquidado em janeiro; Banco Pleno; e a Reag Investimentos, além da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (antiga Reag Trust DTVM).

Por que o Banco Master foi liquidado

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do grupo em 18 de novembro de 2025, citando comprometimento da situação econômico-financeira, deterioração da liquidez e descumprimento de normas do sistema bancário. Entre os motivos apontados constam a captação a custos elevados — com CDBs oferecendo taxas até 40% superiores à média do mercado —, concentração em ativos de alto risco como precatórios e indícios de fraudes.

Na Operação Compliance Zero, a Polícia Federal apurou emissão de carteiras de crédito fictícias e cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovação de capacidade de pagamento, com alegado uso de ativos inexistentes adquiridos da empresa Tirreno para inflar o patrimônio. Após a liquidação houve bloqueio de bens dos controladores e prisões temporárias, incluindo a primeira detenção de Vorcaro em novembro de 2025.

Tentativa do BRB de adquirir o Master e consequências

Em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB) anunciou proposta para comprar 58% do Banco Master por cerca de R$ 2 bilhões, com objetivo de formar um conglomerado maior e ampliar atuação nacional. A negociação contou com apoio político do governo do Distrito Federal, mas foi barrada em setembro pela diretoria colegiada do Banco Central por falta de documentação que comprovasse a viabilidade econômico-financeira.

As transações entre BRB e Master tiveram impactos relevantes: deterioração do patrimônio e da credibilidade do BRB; afastamento do então presidente Paulo Henrique Costa; investigação da Polícia Federal; e prejuízo estimado em R$ 12,2 bilhões pela aquisição de créditos ligados à Tirreno. O BRB precisou apresentar plano de capitalização e o governador do Distrito Federal chegou a propor transferir imóveis públicos para viabilizar captação de recursos.

Quem é Daniel Vorcaro e as prisões

Daniel Vorcaro é o controlador do conglomerado que originou-se da Máxima Corretora e cresceu até a liquidação. Ele foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, durante investigação sobre emissão de CDBs sem lastro e acusações de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Nesta quarta-feira (4), Mendonça determinou nova prisão preventiva após análise de mensagens em celulares que apontariam ameaças, corrupção e tentativas de interferir em órgãos reguladores. A Justiça também autorizou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens e valores do grupo.

Motivos da nova prisão segundo a decisão de Mendonça

A decisão do ministro André Mendonça descrita como base para a prisão aponta a existência de uma organização criminosa com atuação violenta, risco de obstrução das investigações e interferência em autoridades. Entre as alegações estão a atuação de um grupo apelidado “A Turma” para monitorar e intimidar opositores, ordens de agressões e simulações de sequestro, suborno de chefias da supervisão do Banco Central com pagamentos mensais de até R$ 1 milhão, e acesso ilegal a bases sigilosas de órgãos nacionais e internacionais. Mendonça considerou que, em liberdade, os investigados poderiam promover novas intimidações e destruir provas.

Relação do ministro Dias Toffoli com o caso

O ministro Dias Toffoli foi relator inicial do inquérito no STF, autorizou medidas como buscas e bloqueios e decretou sigilo em parte das decisões. Sua atuação passou a ser questionada após revelações de negócios da família com fundos relacionados à Reag Investimentos e menções ao seu nome em mensagens vinculadas ao caso. Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou a relatoria por “interesse institucional” e o processo foi redistribuído a André Mendonça.

Impacto para clientes e o papel do FGC

O Banco Central liquidou sete instituições do grupo desde novembro de 2025, entre elas Banco Letsbank, Banco Pleno e Will Bank, suspendendo operações e deixando milhões de clientes com saldos bloqueados. Investimentos como CDB, LCI, LCA e poupança contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. No caso do Banco Master, cerca de 84% dos credores — 653 mil pessoas — já receberam R$ 37,2 bilhões.

O Will Bank, banco digital com aproximadamente 12 milhões de clientes, não tem os saldos de contas de pagamento cobertos pelo FGC; esses valores devem ser devolvidos integralmente pelo Banco Central após levantamento contábil do liquidante. Valores acima do teto do FGC e aplicações de investidores institucionais dependem da venda de ativos durante o processo de liquidação. O FGC, que concedera antes uma linha emergencial de R$ 4 bilhões ao Master em maio de 2025, estima desembolsos totais próximos de R$ 51 bilhões para cobrir as quebras do grupo e já perdeu quase um terço de seu caixa, anteriormente estimado em R$ 140 bilhões. Entre medidas estudadas pelo fundo estão antecipação de contribuições, cobranças extras e uso de parte do depósito compulsório junto ao Banco Central.

As investigações continuam em curso, com medidas judiciais e administrativas em andamento para apurar responsabilidades, recuperar ativos e efetivar pagamentos aos credores conforme a legislação vigente.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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