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sexta-feira, outubro 23, 2026

Professores de Campo Largo do Piauí recebem salários acima de médicos e município oferece aulas de judô com campeã olímpica

Professores têm remuneração superior a parte dos médicos e município investe em atividades extracurriculares

Em Campo Largo do Piauí (PI), professores da rede municipal têm remuneração base superior ao novo piso nacional do magistério e, em alguns casos, recebem mais que médicos do município. Quando o Ministério da Educação anunciou, em janeiro, o piso salarial do magistério de R$ 5,1 mil, os docentes de Campo Largo já tinham vencimentos próximos de R$ 8 mil. Com gratificações, o salário pode atingir quase R$ 13 mil para um professor dos anos finais da carreira que trabalha 40 horas semanais — valor superior ao salário de alguns médicos locais, estimado em cerca de R$ 11 mil.

Dados do Anuário Brasileiro de Educação Básica 2025 mostram que essa situação não é comum no país: uma em cada três prefeituras não paga sequer o piso do magistério. Em 2024, o rendimento bruto médio dos professores da rede pública foi de R$ 5,5 mil, enquanto o de outros profissionais com o mesmo nível de escolaridade ficou em R$ 6,4 mil.

No Piauí, quase 94% dos municípios pagam acima do piso nacional. O Ceará lidera com 98%. Nas últimas colocações estão Espírito Santo, com 37% dos municípios acima do piso, e Roraima, com 33%.

O prefeito de Campo Largo do Piauí, Jairo Leitão (PSD), ex-professor de matemática até 2012 e atualmente em seu segundo mandato, disse que o plano de valorização da educação básica foi elaborado no fim de sua primeira gestão, em 2023, e aprovado pela Câmara em 2024. Desde então, o município aplica o percentual de aumento do piso nacional sobre os vencimentos locais, que já são superiores à média. O reajuste anunciado pelo Ministério da Educação para 2026 foi de 5,4%.

Além do pagamento acima do piso, o município adotou o regime de tempo integral para 100% dos alunos e ampliações em atividades extracurriculares, incluindo judô, balé, handebol, futsal e capoeira. Um dos programas é o Projeto Crescer, que oferece aulas de judô a mais de 300 estudantes em parceria com o Instituto Sarah Menezes, fundado pela campeã olímpica brasileira.

As aulas do projeto ocorrem aos sábados com equipe vinculada à judoca e, às terças e quintas, a prefeitura promove reforço com um professor municipal alinhado ao conteúdo dos treinos de fim de semana. Sarah Menezes afirmou que acompanha as atividades de perto em busca de atletas com potencial: “Nosso papel é descobrir talentos e projetá-los, dando suporte com nosso conhecimento e, acima de tudo, com o nome que temos no esporte”.

Especialistas ouvidos destacam que a valorização salarial é importante, mas não suficiente para elevar resultados educacionais. Ivan Gontijo, gerente de Políticas Educacionais da ONG Todos pela Educação, afirmou que é preciso oferecer formação continuada de qualidade e boas condições de trabalho. “Não adianta aumentar o salário e colocar o professor para atuar numa sala com 50 alunos, não dar ferramentas pedagógicas ou um bom livro didático”, afirmou.

Não há dados recentes que permitam mensurar o impacto das ações de Campo Largo sobre a qualidade da educação básica. Segundo o IBGE, em 2022 a taxa de escolarização de crianças entre 6 e 14 anos era de 99,5%. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o município obteve nota 4 nos anos iniciais em 2024 e 3,7 nos anos finais, em uma escala de 0 a 10.

Para Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a dificuldade de muitas prefeituras em pagar o piso decorre do modelo de financiamento atrelado à arrecadação. Ele afirma que, se a arrecadação cai, os recursos para educação também diminuem, embora os custos tendam a subir. O dirigente defende um financiamento baseado no custo aluno-qualidade.

Fátima Silva, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), ressalta que muitos municípios só alcançam o piso por meio de gratificações e abonos, práticas que, segundo ela, contrariam a legislação. Em Campo Largo, além do vencimento base, o município paga uma gratificação chamada “regência de classe” e adota uma progressão salarial que inclui “adicional por tempo de serviço”, o que, segundo observadores, faz com que professores no fim da carreira ganhem mais que o dobro do piso.

O prefeito Jairo Leitão afirmou que, se as prefeituras priorizassem a valorização dos professores e aplicassem corretamente os recursos destinados à educação, seria possível pagar o piso com folga. “com sobra”

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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