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sexta-feira, outubro 16, 2026

Projeto de lei quer que feminicídios cometidos por militares sejam julgados pela Justiça comum

Deputada apresenta proposta para tirar competência da Justiça Militar em casos de feminicídio

Quem: A deputada federal Maria do Rosário (PT).

O que: Protocolou o Projeto de Lei 1307 de 2026, que determina que casos de feminicídio praticados por membros das forças militares sejam processados pela Justiça comum.

Quando: Projeto registrado em 2026; dados citados referem-se a 2025.

Onde: Tramitação no Congresso Nacional, com previsão de análise em comissões antes do envio ao plenário.

Como: A proposta altera dispositivos do Código Penal e do Código Penal Militar para que o feminicídio, independentemente da condição funcional do autor, seja tratado como crime doloso contra a vida e encaminhado ao Tribunal do Júri. O texto explicita que a natureza do crime, centrada na violência de gênero, afasta critérios ligados à hierarquia e disciplina das corporações militares.

Por quê: Na justificativa, a deputada afirma que a participação de militares em crimes dessa gravidade aumenta o risco às vítimas devido ao acesso a armas institucionais e ao treinamento técnico. Maria do Rosário disse que o feminicídio “não pode ser tratado como questão corporativa” e defende que a função do agressor não interfira na responsabilização penal.

O projeto surge em um contexto de alta violência de gênero no país: em 2025, a média foi de quatro mortes por dia classificadas como feminicídio, segundo dados consolidados por órgãos de segurança pública. Isso mantém o Brasil entre as nações com índices elevados de violência letal contra mulheres, ainda que ocorram variações regionais.

O debate sobre a competência para julgar crimes cometidos por militares já é antigo no ordenamento jurídico. A Constituição estabelece competências para a Justiça Militar em casos ligados ao funcionamento das corporações, mas decisões e posicionamentos recentes têm reforçado que crimes dolosos contra a vida são matéria do Tribunal do Júri. A ministra Cármen Lúcia, por exemplo, já manifestou que o feminicídio deve ser submetido ao julgamento por cidadãos.

Juristas consultados em debates públicos defendem que a distinção entre crimes militares e comuns deve considerar o bem jurídico afetado e que, quando há violação de direitos humanos — como na violência de gênero —, a Justiça comum tende a assegurar maior imparcialidade e transparência. Em contrapartida, representantes de setores das forças armadas e das polícias militares alertam que a Justiça Militar dispõe de mecanismos próprios de apuração e que mudanças na competência podem provocar tensões institucionais.

O projeto também referencia orientações da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que limita a atuação da Justiça Militar a crimes que atinjam bens jurídicos militares, excluindo violações de direitos humanos. Organizações de defesa dos direitos das mulheres avaliam que a proposta está alinhada a esses parâmetros e que a transferência de competência pode aumentar a confiança das vítimas e de seus familiares nos processos.

O PL 1307/2026 recebeu o nome de “Lei Gisele Santana”, em referência a um caso de feminicídio praticado por um militar que gerou ampla repercussão e ressaltou dificuldades nas investigações, além de questionamentos sobre o chamado “espírito de corpo” dentro das estruturas militares. Maria do Rosário destaca que a iniciativa busca garantir que a proteção à vida das mulheres seja prioridade para o sistema de Justiça, independentemente da função do agressor.

A deputada tem histórico de atuação em políticas de proteção às mulheres: foi relatora da Lei do Feminicídio e participou da formulação de outras normas contra a violência sexual. Na mesma semana em que apresentou o novo projeto, foi aprovado na Câmara um texto de sua autoria em conjunto com a deputada Laura Carneiro (PSD) que inclui o homicídio vicário na legislação sobre violência doméstica, ampliando a responsabilização quando terceiros são vítimas para causar sofrimento à mulher.

O PL 1307/2026 segue em fase inicial de tramitação e deve passar por comissões temáticas antes de eventual votação em plenário, prometendo mobilizar o sistema de Justiça, as forças de segurança e a sociedade civil no debate sobre competência e proteção das vítimas.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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