Estudantes, docentes e famílias saíram às ruas em várias cidades francesas nesta terça-feira (6) em um grande dia de protestos contra a escassez de profissionais e as más condições em parte das salas de aula. A mobilização, que começou há duas semanas nos subúrbios de Paris, se espalhou pelo país.
Centos de escolas foram bloqueadas. Em Marselha, Nantes e Lyon os atos começaram pacificamente no meio da manhã, enquanto a maior manifestação era esperada para ocorrer em Paris durante a tarde. Jovens portavam sinalizadores de fumaça e cartazes com frases de cobrança ao poder público, como “Sob nossos livros escolares, raiva” e “Onde estão os políticos? Será que eles sabem que existimos?”.
O governo mobilizou a polícia de choque, afirmando que a mobilização evoluiu para episódios de violência urbana em algumas localidades.
Aluno ferido
Na segunda-feira (5), um adolescente teve a mão arrancada durante confrontos entre estudantes do ensino médio e a polícia de choque no norte da França. O prefeito do departamento de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, não detalhou as circunstâncias exatas, mas disse que entre 200 e 250 manifestantes arremessavam objetos contra os policiais.
O jornal regional La Voix du Nord informou que o jovem, de 15 anos, perdeu a mão e parte do antebraço após pegar uma granada de dispersão lançada pela polícia.
Reivindicações
A União dos Estudantes do Ensino Médio relatou que 1,8 mil escolas estavam bloqueadas ou programadas para fechamento ao longo do dia. Autoridades educacionais locais tentaram, em alguns casos, transferir as aulas para o formato virtual. O Ministério da Educação não divulgou números imediatos sobre a adesão.
Entre os manifestantes, Hugo Vetzel, recém-formado no ensino médio em Estrasburgo e aluno de cursos preparatórios, declarou: “Quando a resposta é a violência, isso significa que a democracia não está mais funcionando. Existe uma enorme distância entre as elites e nós.”
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu orientou que os ministérios atendam as principais reivindicações estudantis, incluindo a garantia de substituição de professores ausentes, uma revisão da duração do dia letivo — hoje das 8h às 18h — e a avaliação da necessidade de intervalos de almoço mais longos. O governo também vai avaliar reparos necessários em prédios escolares antigos, com a primeira proposta a ser apresentada pelos ministros até o fim de outubro.
O Ministério do Interior informou que 6,1 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, a maioria menores de idade. Segundo o Ministério da Justiça, mais de 1,8 mil pessoas estão sendo processadas, das quais 1.483 são menores, sem detalhar os crimes imputados. O gabinete do primeiro-ministro registrou ao menos 715 policiais e 215 adolescentes feridos nos confrontos.
As ações prosseguem enquanto autoridades e representantes estudantis negociam respostas às reivindicações.
Com informações de Uberlandianofoco




