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sexta-feira, outubro 23, 2026

Quase um terço dos homens jovens diz que esposa deve obedecer ao marido, aponta pesquisa global

Pesquisa global aponta adesão de jovens a visões tradicionais sobre gênero

Um levantamento internacional com cerca de 23 mil pessoas revelou que 31% dos homens da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) concordam que a esposa deve sempre obedecer ao marido. O estudo foi realizado pela Ipsos em parceria com o Instituto Global de Liderança Feminina do King’s College London e abrangeu 29 países.

No confronto entre gerações, o percentual entre homens da Geração Z é mais do que o dobro do verificado entre os homens da geração Baby Boomer (nascidos entre 1946 e 1964): 13% desses últimos concordam com a afirmação. Entre os Millennials, a taxa global para a mesma questão é de 29%.

Os dados também mostram diferenças regionais e nacionais. No Brasil, 21% dos entrevistados concordam que a esposa deve sempre obedecer ao marido, enquanto 20% afirmaram não concordar nem discordar — posicionando o país na 9ª colocação entre 29 nações pesquisadas.

Outros indicadores do levantamento destacam percepções tradicionais entre brasileiros. Setenta por cento dos entrevistados no país afirmaram que está sendo exigido demais dos homens para apoiar a igualdade de gênero, bem acima da média global de 46%. Em relação à ideia de que “homens que cuidam dos filhos são menos masculinos”, 16% dos homens no Brasil concordaram com a frase e outros 16% se declararam neutros; o país aparece em 8º lugar entre 29 países. Sobre a afirmação de que “uma mulher ‘de verdade’ não deve iniciar o sexo”, 17% dos brasileiros concordaram totalmente e 20% ficaram neutros, colocando o Brasil na 7ª posição entre 25 países avaliados.

O estudo também aponta contradições: embora a Geração Z seja mais propensa a defender que mulheres não devem parecer excessivamente independentes, homens jovens foram os que mais afirmaram que mulheres com carreira de sucesso são mais atraentes (41%), contra 27% entre os Baby Boomers, considerando ambos os sexos.

Especialistas ouvidos destacaram fatores culturais e sociais para a persistência dessas visões. Para Maíra Liguori, presidente da organização Think Olga, discursos machistas e valores conservadores transmitidos por religião, mídia e família ainda influenciam atitudes. A professora Felicia Picanço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressaltou que retrocessos conservadores antes associados a gerações mais velhas agora aparecem também entre jovens, em parte impulsionados pelas redes sociais.

A socióloga Nadya Guimarães, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, observou que as atitudes humanas raramente são totalmente consistentes, sendo possível defender valores de igualdade em alguns contextos e posicionamentos tradicionais em outros. O psicanalista Christian Dunker, da USP, acrescentou que grandes transformações sociais costumam provocar reações diversas: algumas pessoas se adaptam mais rápido, outras permanecem ligadas a valores tradicionais.

Pesquisas correlatas indicam ainda um aumento do discurso de ódio online contra mulheres: estudo de 2024 da UFRJ, em parceria com o Ministério das Mulheres, identificou 137 canais que propagam misoginia entre 2018 e 2024, alguns comercializando materiais que promovem humilhação e controle sobre mulheres independentes e feministas.

Os autores e especialistas consultados apontam que, apesar das resistências, há avanços na adesão a valores menos hierarquizados entre os gêneros, mas permanecem dificuldades na redistribuição de responsabilidades domésticas e de cuidado.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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