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quinta-feira, outubro 22, 2026

Quem cunhou o termo “inteligência artificial” e por que Donald Trump quer renomeá-lo

Quem propõe a mudança e o que ele quer

O presidente norte-americano Donald Trump tem defendido em 2026 que a expressão “inteligência artificial” seja substituída por “superinteligência”. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, no mês de setembro, ele afirmou que o termo atual passa a impressão de que a tecnologia seria “falsa” e declarou que, a partir de agora, documentos dos EUA — e, espera ele, de outros países — deveriam adotar o nome “Superinteligência”. Trump também realizou enquetes em sua rede social, a Truth Social, com opções traduzidas para o português como “Inteligência Superior (IS)”, “Inteligência Extrema (IE)” e “Inteligência Suprema (IS)” e, em seguida, promoveu outra votação entre “Superinteligência” e “Inteligência Superior”. O presidente chegou a dizer que tratará como “inimigo” quem continuar a usar o termo tradicional.

Origem do nome

A expressão “inteligência artificial” aparece pela primeira vez em 1955, quando pesquisadores nos Estados Unidos passaram a organizar estudos voltados a criar máquinas capazes de executar raciocínios semelhantes aos humanos. Entre os nomes que participaram desse movimento estão John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon, Nathaniel Rochester, Oliver Selfridge, Ray Solomonoff e Peter Milner. O encontro no Dartmouth College é lembrado como marco inicial do campo, que procurava diferenciar-se de outras áreas, como a cibernética — termo cunhado em 1948 por Norbert Wiener — ao enfatizar raciocínio e autonomia da máquina.

Pesquisas sobre máquinas pensantes antecedem 1955: nas décadas de 1940 e 1950, Alan Turing investigou a possibilidade de programar computadores para responder de maneira que fosse difícil distinguir se as respostas vinham de um humano ou de uma máquina. O Museu da História do Computador, na Califórnia, registra que os pioneiros apresentavam abordagens diversas, desde sistemas reativos até métodos baseados em estatística e probabilidade para permitir aprendizado.

Reação de especialistas

Pesquisadores consultados destacam que alterar um termo consolidado não é simples. Cleber Zanchettin, professor de Engenharia da Computação da UFPE, afirma que a nomenclatura surgiu para agrupar pesquisas que combinavam matemática, engenharia e estatística e que a proposta de Trump tem caráter mais político do que técnico. Anderson Soares, fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da UFG, lembra que não há consenso sobre uma definição precisa de “inteligência” e vê a iniciativa como ligada a interesses políticos.

Allan Pscheidt, pesquisador da área, interpreta a movimentação como sinalização geopolítica: comparar a corrida atual por avanços em IA com a corrida espacial, ele diz que o anúncio de um novo termo pode ser entendido como afirmação de vantagem rumo à chamada AGI (Inteligência Artificial Geral). Pscheidt ressalta que não existe comprovação científica de uma “superinteligência” já instalada.

Possíveis efeitos sobre a percepção pública

Especialistas também alertam para o risco de que um nome como “superinteligência” aumente temores da população. Cleber Zanchettin observa que muitos consumidores ainda têm dificuldade em entender aplicações básicas de IA e que palavras com conotação de supremacia ou ameaça podem intensificar rejeição. Pesquisas citadas indicam desalento: levantamento do Pew Research Center apontou que 52% dos brasileiros estão mais preocupados do que animados com o avanço da IA, e estudo da CNN nos EUA mostrou que cerca de nove em cada dez americanos se sentem mais apreensivos do que entusiasmados com a possibilidade de a IA superar a inteligência humana.

Especialistas ouvidos pelo G1 concluem que, além das barreiras práticas para uma mudança terminológica, a proposta de Trump levanta questões sobre política, comunicação e o impacto social de conceitos ligados à tecnologia.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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