A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada em 25 de março de 2026 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, traça um panorama sobre a situação de mais de 12,3 milhões de jovens de 13 a 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas do país. Os resultados apontam problemas em infraestrutura, segurança, saúde mental e percepção da imagem corporal entre os estudantes.
Falta de absorventes e faltas às aulas
Um dos achados mais destacados é a pobreza menstrual: cerca de 15% das adolescentes declararam ter deixado de ir à escola ao menos um dia no ano anterior à pesquisa por falta de absorventes. O índice alcança 17% nas redes públicas e 6% nas privadas. A disponibilidade de absorventes nas escolas também varia por região: no Sudeste, 92% das unidades oferecem o item, enquanto no Norte esse percentual é de 56%.
Insegurança e interrupções das atividades
A insegurança influi na frequência escolar. Mais de 1,5 milhão de estudantes — o equivalente a 12,5% — afirmaram ter faltado por medo no trajeto entre casa e escola, e 13,7% relataram não se sentir seguros dentro das próprias instituições. O estado do Rio de Janeiro registrou o maior índice de suspensão de atividades por violência, com 25,6%, mais que o triplo da média nacional.
Mudanças no consumo de produtos de tabaco
A experimentação de cigarros eletrônicos (vapes) aumentou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, e o uso recente desses dispositivos cresceu mais de 300% no período. Paralelamente, houve redução na experimentação de cigarros convencionais, de 22,6% para 18,5%, e de narguilé, de 26,9% para 16,4%, com destaque para a substituição entre alunos de escolas particulares.
Violência sexual e ambiente próximo às escolas
Os indicadores de violência sexual mostram que 9% dos estudantes relataram ter sido forçados a ter relações sexuais contra a própria vontade, aumento de 2,5 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Entre as meninas, o percentual alcança 26%. Em 66% dos casos, o primeiro episódio ocorreu até os 13 anos, e a maioria dos agressores são pessoas próximas: familiares (26,6%) e namorados (22,6%).
Diretores também reportaram problemas no entorno das escolas, com presença de venda de drogas em 38% e registros de assaltos em 28,4% das proximidades. O Distrito Federal apresentou os maiores índices de criminalidade ao redor das instituições em várias categorias monitoradas.
Saúde mental e imagem corporal
A satisfação com o corpo entre adolescentes caiu de 70,2% em 2015 para 58% em 2024. A insatisfação é o dobro entre meninas (36,1%) em comparação com meninos (18,2%), e a aparência física é o principal motivo de bullying nas escolas. Sobre saúde mental, 29% dos jovens relataram sentir-se tristes “na maioria das vezes” ou “sempre”, percentual que sobe para 41% entre estudantes do sexo feminino. Além disso, 18,5% dos adolescentes consideram que a vida não vale a pena ser vivida, e 26,1% disseram sentir que ninguém se preocupa com eles.
Com informações de G1




