TRANSMISSÃO: Band
Em um intervalo de dois dias, a Raízen e o Grupo Pão de Açúcar (GPA) entraram com pedidos de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas e reorganizar suas finanças. As iniciativas foram anunciadas pela Raízen na quarta-feira (11) e pelo GPA na terça-feira (10).
Raízen
A Raízen — joint venture entre a Cosan e a Shell e referência na produção de açúcar e etanol no Brasil — protocolou pedido de recuperação extrajudicial na Comarca da Capital de São Paulo. O plano foi estruturado com os principais credores quirografários, que detêm créditos sem garantias específicas. Segundo a empresa, as dívidas financeiras do grupo somam cerca de R$ 65,1 bilhões, além de valores devedores intraempresariais.
A companhia informou que já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia, percentual considerado suficiente para apresentar o pedido. A Raízen terá até 90 dias para ampliar a adesão e atingir o patamar mínimo exigido para que a Justiça homologue a proposta, momento em que o plano passará a valer para todos os titulares dos créditos incluídos.
Entre as medidas previstas no acordo estão injeção de recursos por acionistas, conversão parcial de dívida em ações, alongamento de prazos e eventual venda de ativos. A empresa ressaltou que o processo tem escopo exclusivamente financeiro e não abrange dívidas com clientes, fornecedores, revendedores ou outros parceiros comerciais, cujos pagamentos seguirão normalmente. A Raízen enfrenta queda de receita e tinha dívida líquida de R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro, segundo dados divulgados anteriormente.
Grupo Pão de Açúcar (GPA)
O Grupo Pão de Açúcar informou que fechou acordo com credores e apresentou um plano de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas. O plano foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e já conta com apoio de credores que representam 46% do montante incluído no acordo — cerca de R$ 2,1 bilhões — percentual acima do mínimo legal exigido.
O acordo prevê suspensão temporária dos pagamentos das dívidas incluídas enquanto o GPA renegocia novas condições, com prazo inicial de 90 dias e efeitos imediatos. Dívidas trabalhistas, com fornecedores, parceiros e clientes não foram incluídas no processo. A empresa afirmou que a iniciativa busca melhorar o perfil da dívida e reforçar o caixa, mantendo as operações em funcionamento e pagamentos a fornecedores em dia.
O GPA registra prejuízos desde 2022 e atribui a situação a fatores como queda no consumo, elevação de juros, custos relacionados a mudanças na gestão e perdas em lojas de baixo desempenho. No balanço mais recente, a companhia apontou incerteza sobre a continuidade operacional e mencionou um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão no fim de 2025, ligado principalmente a empréstimos e títulos com vencimento em 2026. Entre as medidas adotadas estão negociação de prazos, redução de despesas financeiras e conversão de créditos tributários para reforçar o caixa.
O que é recuperação extrajudicial
A recuperação extrajudicial permite que uma empresa em dificuldade renegocie parte de suas dívidas diretamente com credores estratégicos, com posterior homologação judicial. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que o instrumento é usado quando há concentração do valor da dívida em um número restrito de credores e exige a aprovação de credores detentores de pelo menos 51% dos créditos para avançar. Para pedir recuperação extrajudicial, a empresa precisa demonstrar crise financeira, não pode ter sócios ou administradores condenados por práticas ilegais, não ter falido anteriormente e não ter passado por recuperação judicial nos cinco anos anteriores.
As duas operações destacam o uso do mecanismo por grandes empresas para evitar processos mais amplos na Justiça e buscar condições que permitam preservar a atividade operacional enquanto renegociam seus passivos.
Com informações de G1




