Os títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos registraram rendimento de 5,02% na terça-feira (15), patamar não visto desde 2007. O avanço acompanha a alta dos preços do petróleo no mercado internacional e reflete o temor de que uma aceleração da inflação nos Estados Unidos leve a juros mais altos.
O petróleo subiu nos últimos dias após novos ataques na região do Oriente Médio. Entre os incidentes, um ataque com drones em território saudita interrompeu temporariamente a operação do oleoduto conhecido como Leste-Oeste, que permite à Arábia Saudita contornar o Estreito de Ormuz e redirecionar parte de suas exportações. A paralisação do oleoduto ameaça até 4% do abastecimento global de petróleo, segundo estimativas citadas pelo mercado.
Além disso, restrições à navegação no Estreito de Ormuz agravam preocupações sobre oferta. Antes do atual conflito entre Estados Unidos e Irã, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passava pela rota. Na semana passada, o grupo houthis, do Iêmen, assumiu o controle da costa iemenita do Mar Vermelho e do Estreito de Bab al-Mandeb, rotas também estratégicas para o transporte de petróleo, enquanto o Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz.
O encarecimento da energia tende a pressionar a inflação global e a elevar a probabilidade de aperto monetário por parte de bancos centrais. As projeções do mercado indicam que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve deve promover, na quarta-feira (16), a primeira alta de juros em três anos, em resposta à persistência das pressões inflacionárias.
Impactos para o Brasil
Quando os rendimentos dos títulos públicos americanos sobem, investidores globais costumam realocar recursos para os Estados Unidos, considerados porto seguro. Esse movimento pode resultar em retirada de capitais de países emergentes, como o Brasil, pressionando a bolsa brasileira. A maior demanda por dólares também tende a valorizar a moeda americana frente a outras divisas.
Um dólar mais alto encarece produtos importados e pode pressionar a inflação doméstica, já que itens como combustíveis, eletrônicos e insumos industriais têm preços atrelados ao mercado internacional. Com a inflação em alta, o Banco Central tem menos espaço para reduzir as taxas de juros. Taxas mais elevadas geralmente encarecem o crédito e podem desacelerar o consumo das famílias, os investimentos das empresas e a atividade econômica.
Com informações da agência de notícias France Presse.
Com informações de G1




