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sábado, outubro 24, 2026

Satisfação corporal de adolescentes brasileiros cai sucessivamente desde 2015, mostra PeNSE 2024

Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (25) revela queda contínua na satisfação com a própria imagem entre adolescentes brasileiros. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 aponta que 58,0% dos jovens de 13 a 17 anos se declaram “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com o corpo, ante 66,5% em 2019 e 70,2% em 2015.

Ao mesmo tempo, o índice de insatisfação subiu para 27,2% e 14,0% dos entrevistados disseram sentir indiferença sobre a própria aparência. O levantamento mostra diferença por sexo: 36,1% das adolescentes do sexo feminino afirmaram estar insatisfeitas com o corpo, quase o dobro do percentual observado entre os meninos, que ficou em 18,2%.

A PeNSE 2024, quinta edição da pesquisa realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, abrange mais de 12,3 milhões de estudantes de 13 a 17 anos matriculados em escolas públicas e privadas em todo o país. O questionário foi respondido pelos alunos sobre percepção corporal e por diretores escolares sobre características da instituição e de seu entorno.

Autopercepção e atitudes em relação ao peso

Sobre como se veem, 44,7% dos alunos se consideraram “nem gordo, nem magro”. Houve, porém, aumento na autopercepção de ser “magro” ou “muito magro”, que passou de 27,6% em 2015 para 36,9% em 2024. A percepção de ser “gordo” ou “muito gordo” recuou para 17,6%.

Essas percepções se refletem em comportamentos: a perda de peso é o objetivo principal para 31,7% das meninas e para 23,1% dos meninos, sendo mais frequente entre estudantes de escolas privadas (36,8%). Já a busca por ganho de peso é predominante entre os meninos (25,0%) contra 20,2% das meninas. Aproximadamente 36,3% dos adolescentes declararam não estar fazendo nada para alterar o peso atual.

Assédio, saúde mental e abandono escolar

A pesquisa também associa preocupação com a aparência a episódios de violência entre pares: 30,2% dos estudantes citam a aparência do rosto ou do cabelo como motivo de bullying, e 24,7% apontam a aparência do corpo. Esses motivos aparecem entre as principais razões de agressões e humilhações em ambiente escolar.

Em relação à saúde emocional, 29% dos adolescentes relataram sentir-se tristes “na maioria das vezes” ou “sempre” nos 30 dias anteriores à pesquisa — com 41% entre as meninas e quase 17% entre os meninos. Sobre ideação negativa, 18,5% dos estudantes disseram que a vida não vale a pena, proporção que sobe para 25% entre as meninas. Irritabilidade e mau humor foram relatados por 58,1% das estudantes do sexo feminino e por 27,1% dos do sexo masculino. Além disso, 26,1% dos alunos afirmaram sentir que ninguém se preocupa com eles.

O estudo cita fatores que podem levar ao abandono escolar, como falta de vínculo com a escola, dificuldade de transporte, gravidez na adolescência, necessidade de ingresso no mercado de trabalho e defasagem escolar acumulada em anos anteriores.

Mylena Gonçalves/UFOP

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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