O trabalho de personal organizer — profissional que organiza espaços de forma funcional para otimizar rotina, espaço e bem‑estár do cliente — deixou de ser atividade exclusiva de celebridades e hoje movimenta um mercado que pode render até R$ 20 mil mensais, dependendo da experiência, região e tipo de projeto.
Segundo a presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP), Ana Alarcon, a atuação das organizadoras pessoais envolve diagnóstico da rotina e das necessidades do cliente, por isso não existe um padrão único de organização. A maior parte da demanda ocorre em residências, segundo o Sebrae, mas também há nichos como closets, assessoria de mudanças e ambientes corporativos, como escritórios, consultórios e lojas.
Origem e expansão
A profissão nasceu nos Estados Unidos na década de 1980 e começou a se estruturar no Brasil por volta dos anos 2000, consolidando‑se de forma mais visível nos últimos 15 anos. O crescimento mais recente foi impulsionado pela pandemia, quando residências passaram a acumular trabalho, estudo e convivência — e vídeos de “antes e depois” em redes sociais como Instagram e TikTok difundiram o serviço e atraíram novos profissionais.
Trajetórias profissionais
O perfil típico de quem entra na área é de pessoas que deixam empregos formais para empreender na organização doméstica. Cora Fernandes, 38 anos, atua como personal organizer desde o fim de 2016. Depois de formar uma marca e somar presença nas redes sociais, passou a integrar comunicação, cursos e parcerias; em períodos de alta demanda, fatura cerca de R$ 15 mil por mês.
Josilene Maria Martins, a Josi Martins, tem 37 anos e atua há 11. Após migrar do setor de marketing para a organização profissional, especializou‑se em nichos como pós‑mudança e marcenaria, montou equipe e diversificou serviços (cursos, mentorias e venda de produtos), alcançando faturamento próximo de R$ 20 mil mensais.
Isabela Sekulic, 29 anos, iniciou a carreira durante a pandemia em Curitiba. Seus vídeos com organização por cores — inspirados no estilo norte‑americano “The Home Edit” — viralizaram e alavancaram atendimentos, venda de organizadores e um curso on‑line. Atualmente, ela declara média de R$ 10 mil por mês apenas com projetos de organização, valor que aumenta com outras frentes de negócio.
Regulamentação, formação e preços
A ocupação foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) em 2022, mas a profissão ainda não é regulamentada; desde 2019 a associação do setor acompanha um pedido para criação de um CNAE específico. Na ausência de formação superior específica, cursos livres reconhecidos pelo MEC e cursos de extensão em faculdades são os caminhos mais comuns. Investimentos iniciais citados por profissionais variam entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, com opções de cursos que custam entre R$ 1 mil e R$ 3 mil; o mercado também oferece formações de baixo custo, que exigem avaliação cuidadosa.
Os valores cobrados por atendimentos variam conforme o método de cobrança (hora, diária, ambiente ou projeto fechado), complexidade, número de itens e necessidade de equipe. A ANPOP registra projetos que vão de R$ 800 até R$ 100 mil, dependendo do escopo.
Clientes, sazonalidade e desafios
O público deixou de ser restrito à elite: famílias com jornadas intensas, trabalhadores em home office, pessoas em mudança, clientes com acúmulo de objetos e casos de divórcio ou luto estão entre os que mais procuram o serviço. Há pico de procura entre novembro e dezembro; janeiro e fevereiro costumam ser meses mais fracos. Entre os desafios citados estão a desvalorização do trabalho, resistência a mudanças por parte dos clientes, esforço físico, logística e a instabilidade de renda no início da carreira — ganhos iniciais podem ficar em torno de R$ 4 mil mensais, conforme região e capacidade de captar clientes.
Especialistas recomendam que quem inicia invista em formações que contemplem atendimento ao cliente, ética, precificação, marketing e gestão; construa portfólio com antes e depois; atue como assistente para ganhar experiência; encontre nichos e precifique com base em mão de obra, custos e margem de lucro. A ANPOP prevê o lançamento em 2026 de um selo para cursos que atendam a critérios mínimos de qualidade.
A atividade combina prestação de serviço presencial com possibilidades de consultoria on‑line, venda de produtos e oferta de cursos, mantendo a organização como foco central para melhorar a funcionalidade dos espaços.
Com informações de G1




