Sapezal (MT) passou a ser o município com maior valor de produção agrícola do país em 2025, segundo dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2025 divulgados pelo IBGE em 17 de setembro de 2026. Depois de seis anos na liderança, Sorriso (MT) terminou o exercício em terceiro lugar, atrás de São Desidério (BA).
A PAM calcula o valor da produção multiplicando a quantidade colhida pelo preço médio recebido pelos agricultores. Pelo levantamento, os dez municípios com maior faturamento agrícola em 2025 foram, em ordem: 1º Sapezal (MT) – R$ 8,59 bilhões; 2º São Desidério (BA) – R$ 8,22 bilhões; 3º Sorriso (MT) – R$ 8,16 bilhões; 4º Campo Novo do Parecis (MT) – R$ 7,87 bilhões; 5º Formosa do Rio Preto (BA) – R$ 5,89 bilhões; 6º Diamantino (MT) – R$ 5,82 bilhões; 7º Rio Verde (GO) – R$ 5,69 bilhões; 8º Cristalina (GO) – R$ 5,45 bilhões; 9º Nova Mutum (MT) – R$ 5,39 bilhões; 10º Jataí (GO) – R$ 4,84 bilhões. O total dos dez primeiros somou R$ 65,92 bilhões.
Por que Sorriso caiu no ranking
A perda da liderança por Sorriso não decorreu de uma queda generalizada na produção, mas de mudanças territoriais e nos indicadores de área plantada. Em 2025, o município teve redução de 9,3% na área plantada total. As áreas de soja, milho e algodão recuaram, respectivamente, 8,3%, 10% e 19,7%.
Parte desse efeito veio da criação do novo município Boa Esperança do Norte (MT), incluído nas estatísticas a partir de 2025. O território de Boa Esperança do Norte foi formado por áreas que antes pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã: 20% da área saiu de Sorriso e 80% de Nova Ubiratã. A mudança diminuiu a área agrícola atribuída a ambos os municípios e alterou posições no ranking nacional.
Apesar da redução de área, Sorriso registrou crescimento no valor gerado pela soja, que subiu 21,6%, totalizando R$ 4,05 bilhões, e permaneceu na liderança nacional em valor da produção de milho. No algodão, o município apresentou queda de 1,6% no valor da produção e queda de 12,8% na quantidade colhida.
O desempenho de Sapezal
Sapezal alcançou o topo em 2025 com forte contribuição do algodão, que representou quase 60% do valor produzido no município. O algodão herbáceo gerou R$ 5,12 bilhões, alta de 42,8% em um ano, com colheita de cerca de 1,2 milhão de toneladas. A soja em Sapezal respondeu por R$ 2,80 bilhões, aumento de 51,4%, e o milho por R$ 656,9 milhões, alta de 58,1%.
Localizado no oeste de Mato Grosso, a cerca de 520 km de Cuiabá, Sapezal tem pouco mais de 32 mil habitantes e economia fortemente baseada na agricultura. A região se consolidou como polo produtivo desde as décadas de 1970 e 1980, com crescimento acelerado da fronteira agrícola e estabelecimento de grandes produtores.
Impactos em outros municípios e panorama nacional
Boa Esperança do Norte já figura em 25º lugar no ranking nacional de valor da produção agrícola, com destaque para R$ 1,7 bilhão em soja, R$ 952,8 milhões em milho e R$ 295,2 milhões em algodão. Nova Ubiratã, por sua vez, teve queda de 42,9% na área plantada total; a área destinada a soja e milho recuou 43,9%, e o município caiu da 8ª para a 20ª posição no ranking.
Em nível nacional, a PAM 2025 apontou faturamento recorde de R$ 927,2 bilhões para a produção agrícola brasileira, aumento de 18,4% sobre 2024. A safra de cereais, leguminosas e oleaginosas foi histórica, com 345,4 milhões de toneladas (+18,2%). A área colhida totalizou 101,3 milhões de hectares (+4,2%). A soja somou 165,3 milhões de toneladas e R$ 315,2 bilhões em valor; o milho teve produção recorde de 141,2 milhões de toneladas, movimentando R$ 122,1 bilhões. Mato Grosso foi o estado com maior receita, R$ 165,6 bilhões (+37,1%), e a região Centro-Oeste concentrou R$ 288,0 bilhões (+31,8%).
Esses números mostram a composição do levantamento do IBGE para 2025 e a redistribuição de posições entre municípios provocada por variações de produção e mudanças no mapa político-territorial.
Com informações de G1




