A agência S&P Global reduziu novamente a classificação de risco de crédito do Banco de Brasília (BRB), passando o rating de brB- para brCCC+/brC. É o segundo corte na avaliação da instituição em menos de três meses — a revisão anterior ocorreu em março — e, segundo a própria agência, reflete uma “crescente incerteza” e riscos de execução ligados ao plano de capitalização do banco.
O comunicado da S&P ressalta que o rating avalia a capacidade do BRB de cumprir suas obrigações financeiras. Nos manuais da agência, a categoria brCCC indica que o emissor está exposto a uma maior probabilidade de não honrar pagamentos em comparação com outras obrigações domésticas, dependendo de condições comerciais e financeiras favoráveis para manter os compromissos; em cenários adversos, o banco provavelmente não teria capacidade suficiente para pagar suas dívidas relativas à obrigação avaliada.
O presidente do BRB comprometeu-se a divulgar o balanço atrasado até 30 de junho, segundo informações ligadas ao processo de recuperação da instituição.
O rebaixamento ocorre no contexto de enfraquecimento do patrimônio do BRB nos últimos três anos, em razão de uma série de operações malsucedidas envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Entre essas movimentações esteve uma tentativa de aquisição do Master pelo BRB, que foi barrada pelo Banco Central.
Desde a deflagração da operação da Polícia Federal denominada Compliance Zero, em novembro de 2025, dirigentes de ambos os bancos foram presos e afastados. O Banco Master e outras instituições do mesmo conglomerado foram liquidados pelo Banco Central. Enquanto isso, o BRB — cujo acionista majoritário é o governo do Distrito Federal — tem postergado a divulgação de demonstrações contábeis e buscado captar recursos no mercado para recompor seu patrimônio.
Em abril, a agência Moody’s também rebaixou a nota do BRB, citando risco de default. A nova ação da S&P amplia o sinal de alerta sobre a situação financeira do banco e sobre a eficácia das medidas previstas para sua capitalização.
Sem outros desdobramentos divulgados no comunicado, a classificação mais baixa pela S&P passa a integrar o conjunto de sinais de risco que cercam a instituição e seu plano de restauração de capital.
Com informações de G1




