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quarta-feira, outubro 28, 2026

Super-ricos emitem mais carbono que

Relatório da Oxfam aponta responsabilidade e lucro dos super-ricos

Um estudo da Oxfam revela que os 0,1% mais ricos do planeta, grupo estimado em cerca de 8 milhões de pessoas, geram emissões de carbono superiores às produzidas pelos 3,5 bilhões mais pobres. O documento, publicado na véspera da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), reúne dados sobre a contribuição desigual para a crise climática e os ganhos econômicos obtidos com os desastres.

Segundo a Oxfam, uma pessoa entre os 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais ondas de calor extremo do que alguém entre os 50% mais pobres. A análise também estima que um ano de emissões atribuíveis ao 1% mais rico poderia provocar 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor, sendo 78% desses óbitos em países de renda baixa e média-baixa, que respondem por apenas 8% das emissões globais.

O relatório destaca que, enquanto as populações vulneráveis enfrentam destruição de moradias e plantações, perda de meios de subsistência e fome, os super-ricos têm meios para se proteger. Entre as medidas de proteção mencionadas estão bunkers subterrâneos de alta tecnologia, equipes privadas de combate a incêndios e seguros privados; além disso, a Oxfam acusa esses grupos de lucrar com a poluição, com os desastres e com a reconstrução subsequente.

A organização estima que as emissões do 1% mais rico poderão causar quase US$ 53 trilhões em danos econômicos até 2050. A previsão é de que até 1 bilhão de pessoas possam ser deslocadas pela crise climática até esse ano, com a maioria dos deslocamentos ocorrendo no Sul Global.

“A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo internacional da Oxfam. A entidade também qualifica a situação como “um crime de desigualdade extrema”, segundo declaração de seu diretor.

O documento alerta ainda que desastres climáticos vêm sendo usados para promover políticas que ampliam a desigualdade, como privatização da ação climática e de serviços públicos, apropriação de terras, desregulamentação e concessão de benefícios fiscais aos mais ricos. A Oxfam apresenta também o Destroy & Rebuild Index, que identificou 217 empresas que obtêm lucros tanto em setores que aceleram o colapso climático quanto em atividades de resposta e reconstrução após desastres.

Recomendações

A Oxfam sugere que grandes poluidores paguem pelos danos e reduzam rapidamente suas emissões, propondo medidas como impostos sobre riqueza e renda, tributação de empresas de combustíveis fósseis e taxas punitivas sobre bens de luxo altamente poluentes, como jatos privados. A organização pede ainda aumento do financiamento climático para o Sul Global, priorizando recursos públicos e doações em vez de empréstimos, e defende que os fundos destinados à adaptação sejam triplicados até 2035.

A entidade recomenda também o fortalecimento de infraestrutura pública resiliente e dos serviços públicos, bem como limites ao poder corporativo em áreas como resposta a emergências, reconstrução e sistemas alimentares durante crises, para impedir que se lucre com desastres climáticos.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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