Em 12 de agosto de 2025, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), compareceu a um jantar organizado pelo cantor Latino com a presença de empresários do setor de entretenimento, enquanto era cotado como possível candidato à Presidência. O encontro, que teve carneiro e vinho no cardápio, reuniu cerca de dez pessoas.
Entre os presentes estava o empresário do funk Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, ligado à gravadora GR6 Explode, que foi detido pela Polícia Federal na terça‑feira, 15 de agosto de 2025, na Operação Narco Fluxo. Oliveira é suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Logo após a reunião, Oliveira publicou no Instagram uma mensagem dirigida ao governador: “Nosso país estaria muito melhor se tivéssemos mais pessoas como você. Que cara f…!”, segundo registro das redes sociais.
O Palácio dos Bandeirantes, em nota encaminhada ao jornal Folha de S.Paulo, afirmou não haver vínculo entre o governador e Oliveira e disse que Tarcísio desconhecia qualquer ligação do homem com o crime organizado. A nota acrescentou que o governador recebe diariamente dezenas de pessoas que solicitam fotos e que não é possível verificar antecedentes judiciais de cada uma em tempo real.
Em entrevista coletiva na quinta‑feira, 16 de agosto de 2025, o governador reiterou que Oliveira “não é do círculo de amizade” e afirmou lamentar a surpresa do episódio. Ele também disse que não costuma perguntar a quem pede foto se a pessoa responde a algum crime ou tem indicativo criminal.
Operação Narco Fluxo
Além de Rodrigo Oliveira, a operação prendeu os músicos MC Ryan e MC Poze do Rodo. A Polícia Federal informou que aproximadamente R$ 1,6 bilhão teriam sido desviados por meio de criptoativos pelo grupo investigado, que também é acusado de lavar recursos provenientes de casas de apostas ilegais.
Foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária em vários estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás, além do Distrito Federal.
O Ministério Público Federal declarou que a ação teve por objetivo desarticular a estrutura financeira de uma organização criminosa responsável por movimentações bilionárias relacionadas à lavagem de capitais, evasão de divisas e outros atos ilícitos. Segundo as investigações, a Narco Fluxo decorre de operações anteriores que já apontavam atuação da rede em crimes como tráfico de drogas, estelionato digital e exploração de jogos de azar ilegais.
As apurações indicam a existência de uma estrutura criminosa estável, com divisão de tarefas e atuação coordenada, apoiada por uma rede que envolvia empresas de fachada, contas de passagem e estruturas empresariais aparentes.
As defesas dos investigados negam irregularidades. A defesa de Rodrigo Inácio de Lima Oliveira afirmou que os repasses a outros alvos da operação se referem a pagamentos vinculados à sua atividade musical e que “os valores e transações financeiras mencionados referem‑se a relações comerciais lícitas e regulares, inerentes à atividade empresarial da companhia, todas devidamente formalizadas e respaldadas por contratos e documentação fiscal”.
Com informações de Uberlandianofoco




