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sábado, outubro 24, 2026

Terras raras colocam Brasil no centro de disputa entre EUA e China; tema é foco de encontro entre Lula e Trump

O avanço tecnológico e a transição para energia limpa colocam o Brasil no epicentro de uma disputa geopolítica. O país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras — nome que designa um grupo de 17 elementos da tabela periódica — e o tema foi pauta da reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na quinta-feira, 7 de maio de 2026, na Casa Branca.

As terras raras incluem 15 lantanídeos (do lantânio ao lutécio) e outros elementos como escândio e ítrio. Esses metais não são usados em grandes quantidades como ferro ou cobre, mas são cruciais por proporcionarem alto desempenho em componentes eletrônicos e magnéticos. Exemplos citados na indústria são o neodímio e o praseodímio, essenciais em superímãs; o disprósio, térbio e európio, empregados em telas e em processos que exigem estabilidade magnética e térmica; e o lutécio, cujo isolamento pode elevar seu preço a entre US$ 5 mil e US$ 15 mil por quilo devido à complexidade do processamento.

O processamento das terras raras é caro e tecnicamente exigente. Após a extração e concentração física do minério — em que, segundo especialistas, de cada mil quilos de minério se obtém cerca de um quilo de terra-rara ou menos — são necessários ataques químicos com reagentes e ácidos, remoção de impurezas e de elementos radioativos como tório e urânio, e separações individuais por extração por solventes que demandam dezenas a centenas de etapas. O processo também envolve grande consumo de água e energia e gestão rigorosa de rejeitos.

Os usos das terras raras abrangem motores de carros elétricos (superímãs de neodímio e praseodímio), alto-falantes, mecanismos de vibração em celulares, geradores de turbinas eólicas, equipamentos médicos como ressonância magnética, lasers e sistemas de defesa e satélites.

O Brasil é considerado privilegiado geologicamente por combinar origem vulcânica, clima tropical e tempo geológico. Regiões como a Província Ígnea do Alto Paranaíba, no Cinturão de Araxá-Catalão (Minas Gerais e Goiás), abrigam grandes jazidas, inclusive de terras raras pesadas. Recentemente foram identificadas também argilas iônicas, onde os elementos ficam mais soltos e podem ser extraídos com processos mais simples, embora com riscos ambientais, como lixiviação do solo.

Apesar das reservas, o país ainda não consolidou a cadeia industrial de refino e separação. A China concentra cerca de 90% do refino mundial e levou aproximadamente meio século para dominar o setor. Isso criou o que especialistas chamam de “escassez política”: não falta matéria-prima globalmente, mas pode haver limites de acesso por motivos diplomáticos ou comerciais.

No cenário diplomático, os Estados Unidos buscam fornecedores alternativos ao domínio chinês, pedindo acesso mais rápido às jazidas e redução de exigências ambientais para garantir abastecimento a indústrias de defesa, chips e veículos elétricos. O governo brasileiro adota postura de soberania sobre o subsolo, evitando acordos de exclusividade e buscando agregar valor internamente: a Câmara dos Deputados aprovou em regime de urgência a Política Nacional para a Exploração de Minerais Críticos, que prevê um fundo de até R$ 5 bilhões para atrair empresas com tecnologia de processamento, condicionando parcerias à transferência de tecnologia.

O encontro entre Lula e Trump, portanto, tratou de interesses econômicos, estratégicos e de segurança, com o Brasil tendendo a negociar termos que preservem a capacidade de agregar valor no país, enquanto os EUA procuram garantir fornecimento fora da China.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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