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terça-feira, outubro 20, 2026

Transportadora ligada ao Grupo Zema é incluída na lista suja do trabalho escravo

O governo federal atualizou a lista suja do trabalho escravo nesta segunda-feira (6) e adicionou a empresa Cidade das Águas Transportes ao cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A inclusão refere-se a investigação que identificou 22 motoristas submetidos a condições análogas à escravidão enquanto prestavam serviços no Centro de Distribuição e Apoio do Grupo Zema, em Araxá (MG), denúncia revelada pelo Brasil de Fato em abril de 2025.

Segundo a fiscalização, os trabalhadores realizavam transporte de móveis e eletrodomésticos para as lojas do grupo e enfrentavam jornadas exaustivas, com registros de até 19 horas de trabalho por dia. A operação ocorreu em 4 de fevereiro deste ano e contou com auditores fiscais do trabalho, procuradores do Ministério Público do Trabalho e policiais rodoviários federais.

Auditores encontraram no local papeletas, planilhas e roteiros de transporte com registros de saída, chegada e duração das viagens, elementos que embasaram a autuação. Os documentos apontaram irregularidades como a ausência de 11 horas de descanso no período de 24 horas, supressão do intervalo mínimo para refeição, extrapolação do limite legal de horas extras e ausência de escala de revezamento para trabalho aos domingos.

Em depoimentos colhidos pela fiscalização, um motorista relatou jornada média de 16 horas diárias e disse ter cumprido, em algumas entregas, até 26 horas seguidas. Ele afirmou também que almoçava na boleia do caminhão e, em diversas ocasiões, precisou dormir no próprio veículo.

O relatório da fiscalização indicou que os motoristas prestavam serviço exclusivo para a Eletrozema, com rotas definidas a partir do centro de distribuição do Grupo Zema. Os trabalhadores só deixavam o local mediante liberação vinculada à operação de transporte. Em cada ponto de descarga, gerentes das lojas registravam data, horário e número do lacre do baú, e a volta dos motoristas era novamente anotada no centro de distribuição, evidenciando que as jornadas excessivas faziam parte da operação de abastecimento das lojas.

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), presidida pela deputada Bella Gonçalves (Psol-MG), informou que realizaria oitivas e acompanhará o andamento das investigações.

Atualização amplia lista

A atualização divulgada pelo MTE incluiu 169 empregadores, aumento de 6,28% em relação à versão anterior: 102 pessoas físicas e 67 empresas. Os casos referem-se ao período entre 2020 e 2025 e estão distribuídos em 21 unidades da Federação. Minas Gerais teve o maior número de inclusões, com 35; seguem São Paulo (20), Bahia e Paraíba (17 cada) e Pernambuco (13).

Entre as atividades com mais empregadores listados estão serviços domésticos (23), criação de bovinos para corte (18), cultivo de café (12) e construção de edifícios (10).

O Grupo Zema não respondeu ao contato até a publicação desta matéria. A Cidade das Águas também não foi localizada. Quando o caso foi divulgado em abril de 2025, a transportadora alegou ter sido impedida de exercer o contraditório e a ampla defesa durante a fiscalização e classificou como “arbitrária” a interpretação dos auditores, afirmando cumprir a legislação trabalhista, preservar direitos individuais e coletivos dos empregados e negar a caracterização de trabalho análogo à escravidão.

O ex-governador Romeu Zema foi procurado e não se manifestou até a publicação. Qualquer novo posicionamento será divulgado.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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