O presidente Donald Trump anunciou a formação de um comitê destinado a apurar acusações contra Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), conforme comunicado divulgado pela Casa Branca e datado de 7 de outubro. Segundo o memorando presidencial, o painel terá a tarefa de verificar as alegações e informar ao presidente se há “justa causa” para a demissão da integrante do banco central americano.
O documento estabelece que o comitê realizará uma audiência presencial na Casa Branca para analisar as provas e as acusações apresentadas contra Cook. A sessão terá duração máxima de quatro horas, segundo o texto oficial.
Esta medida representa um novo capítulo na tentativa de Trump de remover Cook do cargo. Em 2025, o presidente já havia tentado demiti-la, acusando-a de fraudes hipotecárias — acusações que a diretora nega.
Lisa Cook, a primeira mulher negra a ocupar uma diretoria no Fed, afirmou que as alegações seriam um pretexto para afastá-la em razão de divergências sobre política monetária. Em junho deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou temporariamente a tentativa de demissão, ao decidir que o presidente não havia assegurado a ela as garantias legais necessárias para contestar as acusações. A decisão da Corte, por 5 votos a 4, não avaliou a veracidade das alegações, mas determinou que Cook tivesse oportunidade de se defender e devolveu o processo às instâncias inferiores da Justiça.
Em agosto, a Casa Branca retomou a ofensiva ao enviar uma carta à diretora informando que Trump considerava seu afastamento e dando-lhe três semanas para responder às acusações. Na ocasião, o advogado de Cook, Abbe D. Lowell, classificou as alegações como “sem fundamento” e afirmou que não havia causa válida para a demissão.
Cook foi nomeada ao conselho do Fed em 2022 pelo então presidente Joe Biden e reconduzida em 2023 para um mandato com validade até 2038. Desde a criação do Federal Reserve, em 1913, nenhum outro presidente havia tentado destituir um governador do banco central.
O comitê presidido por Trump deverá concluir sua análise e reportar se existem bases formais para a remoção, conforme orienta o memorando publicado pela Casa Branca.
Com informações de G1




