O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (11) que empresas petrolíferas “deveriam” continuar a transitar pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A declaração foi dada após questionamento de repórteres sobre se as companhias deveriam circular pela região.
A posição de Trump surge em meio a relatos da inteligência americana, divulgados nesta terça-feira (10) pela CBS News com base em autoridades dos EUA, de que o Irã estaria planejando instalar minas navais no estreito. Segundo a emissora, o governo iraniano estaria usando embarcações pequenas para posicionar as minas, e teria um estoque estimado em até 6 mil unidades. A CNN Internacional afirmou que a instalação das minas já teria começado.
Minas navais são explosivos colocados no mar que detonam ao contato com navios, usados para bloquear ou dificultar a passagem de embarcações em uma rota marítima. A presença desses artefatos no Estreito de Ormuz representaria risco a qualquer navio que tentasse atravessar a região. O Irã, por sua vez, declarou que a rota está “fechada” desde a semana passada.
Após a publicação das reportagens, Trump exigiu que o Irã desistisse de instalar minas ou removesse quaisquer explosivos já colocados. “Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes”, afirmou o presidente. Ele disse ainda que os Estados Unidos monitoram a área e destruirão qualquer embarcação usada para minar o estreito.
Em publicação subsequente, Trump afirmou que os EUA destruíram dez barcos usados para lançar minas, acrescentando que as embarcações estavam inativas. Na segunda-feira (9), o presidente já havia ameaçado o Irã com ataques “vinte vezes mais fortes” caso o país tentasse bloquear o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e chegou a declarar que avaliava assumir o controle da região. “Se fizerem qualquer coisa errada, será o fim do Irã e vocês nunca mais ouvirão esse nome novamente”, disse ele em entrevista.
As ameaças ocorrem em contexto de alta nos preços do petróleo: na segunda-feira o valor do barril se aproximou de US$ 120, cenário que pode impactar diretamente a economia americana e influenciar a corrida eleitoral de novembro. A trajetória do Estreito de Ormuz torna qualquer tensão na região relevante para os mercados globais.
Localizado entre Omã e o Irã, o Estreito de Ormuz é passagem vital para navios que exportam petróleo do Golfo rumo à Ásia, Europa e Américas. Ao longo da história, a área teve grande relevância comercial e estratégica — conectando, desde a Antiguidade, Pérsia, Mesopotâmia e Índia ao Oceano Índico; sendo disputada por potências europeias nos séculos XVI e XVII; e ganhando ainda mais importância no século XX com a descoberta de reservas petrolíferas no Golfo Pérsico. Durante a guerra Irã-Iraque (1980-1988), petroleiros foram atacados e os Estados Unidos passaram a escoltar embarcações na região, que desde então é um dos principais focos de tensão geopolítica.
Atualmente, grande parte do petróleo mundial e do gás exportado pelo Catar transita por Ormuz, o que faz com que qualquer conflito na região influencie preços e mercados globais.
Com informações de G1




