O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda‑feira (16) que o Federal Reserve deve realizar uma “reunião especial” para reduzir as taxas de juros imediatamente. O pedido foi feito poucos dias após um juiz federal ter anulado intimações relacionadas a uma investigação do governo sobre o presidente do Fed, Jerome Powell.
A decisão do juiz James Boasberg, proferida na última sexta‑feira (13), concedeu razão a Powell ao entender que as intimações tinham como objetivo indevido pressionar o banco central a rebaixar os juros. Em sua decisão, Boasberg escreveu que “o governo não apresentou qualquer prova de que Powell tenha cometido qualquer crime além de desagradar o presidente”.
As intimações faziam parte de uma apuração liderada pela procuradora federal do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, sobre possíveis gastos excessivos nas reformas da sede do Fed. Pirro disse que o Departamento de Justiça vai recorrer da decisão.
Os documentos que motivaram o pedido de Boasberg incluíam solicitações de informações sobre as obras em dois prédios históricos do complexo do banco central em Washington e a convocação de Powell para depor no Comitê Bancário do Senado, originalmente prevista para julho de 2025. O Conselho de Governadores do Fed havia solicitado ao tribunal a anulação dessas intimações.
Powell tornou pública a investigação em 11 de janeiro, afirmando que ela representava uma ameaça à independência do Fed. Desde que Trump reassumiu a presidência no ano passado, o mandatário tem pressionado por cortes mais rápidos e expressivos nas taxas de juros; Powell, porém, mantém postura cautelosa devido a preocupações com a inflação.
Os acontecimentos desta semana também deixam em aberto a intenção de Trump de indicar o ex‑governador do Fed Kevin Warsh para a presidência da instituição quando o mandato de Powell terminar, em meados de maio. Warsh é visto como mais favorável a cortes nas taxas.
Em reação à decisão, Pirro criticou o juiz por, segundo ela, exceder sua autoridade e “proteger” Powell, afirmando em coletiva que, por causa da decisão, o presidente do Fed “goza hoje de imunidade”. A expectativa do Departamento de Justiça é apresentar recurso.
O juiz Boasberg afirmou que havia “uma montanha de evidências” indicando que as intimações visavam pressionar Powell a reduzir juros ou a renunciar. Segundo o magistrado, “o Governo não apresentou praticamente nenhuma prova que sustente a suspeita de crime contra o Presidente Powell. Aliás, as suas justificativas são tão frágeis e infundadas que o Tribunal só pode concluir que são pretextuais”.
Autoridades do Fed não comentaram o caso. Entre senadores republicanos, há quem defenda Powell: o senador Thom Tillis afirmou que usará sua posição na Comissão Bancária do Senado para bloquear nomeações ao Fed enquanto a investigação seguir ativa. O presidente da comissão, Tim Scott, compartilha a avaliação de que as declarações de Powell ao Congresso não configuram crime.
O episódio representa mais um revés judicial para o Departamento de Justiça sob a administração Trump, que enfrenta outras decisões contrárias em casos envolvendo críticos e opositores do presidente.
Com informações de G1




