O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende alterar as regras de cobrança de tarifas sobre aço e alumínio, mantendo a alíquota de 50% para as matérias-primas e aplicando taxas menores a produtos manufaturados. A proposta, relatada pela agência Reuters e inicialmente divulgada pelo Wall Street Journal, prevê impostos entre 15% e 25% para itens feitos com esses metais, como peças e eletrodomésticos.
O ajuste deve ser formalizado por meio de um decreto presidencial previsto para ser assinado nesta quinta-feira (2). A Casa Branca não se pronunciou até o momento sobre os detalhes do texto, que ainda pode sofrer alterações antes da publicação.
Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, a intenção do governo é simplificar o sistema de tarifas. Em 2025, Trump havia elevado a alíquota sobre aço e alumínio de 25% para 50% e estendeu taxas a milhares de produtos que contêm esses metais para estimular a produção nacional. Na prática, porém, o imposto sobre bens manufaturados vinha sendo calculado apenas sobre a parcela correspondente ao aço e ao alumínio, o que tornava o cálculo complexo para importadores.
Na nova proposta, a cobrança menor seria aplicada sobre o valor total do produto, facilitando o cálculo e a administração tributária. O decreto também incluirá uma lista atualizada de produtos sujeitos às tarifas. Além disso, alguns equipamentos utilizados na produção de aço — principalmente máquinas industriais importadas de países como Alemanha e Itália, projetadas para operar em altas temperaturas — podem receber alíquotas reduzidas de 15% para incentivar investimentos no setor.
O aumento das tarifas teve impacto sobre o Brasil. Em junho do ano passado, quando as alíquotas subiram para 50%, itens produzidos com aço e alumínio passaram a ser enquadrados pela Seção 232 do Ato de Expansão Comercial pelos Estados Unidos, conforme informou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Segundo Alckmin, cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações brasileiras de um total de US$ 40 bilhões foram afetados pela medida, o equivalente a 6,4% do total. “Isso melhora nossa competitividade em relação ao resto do mundo”, afirmou ele na ocasião. Ainda assim, parte das exportações brasileiras segue sujeita à alíquota de 50%, prejudicando empresas voltadas ao mercado externo e pressionando preços e margens para concorrentes no mercado interno.
Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos concluiu, por 6 votos a 3, que Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas amplas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. No dia seguinte à decisão, o presidente anunciou uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com aplicação imediata.
Com informações de G1




