17.6 C
Uberlândia
domingo, outubro 18, 2026

União Europeia recomenda mais home office e menos viagens aéreas diante da crise de energia

O comissário europeu para a Energia, Dan Jorgensen, pediu em 31/03 que os 27 países-membros da União Europeia se preparem para interrupções prolongadas no fornecimento de energia e comecem a adotar medidas de economia de combustível, diante do agravamento da guerra no Irã que pressiona os mercados de petróleo e gás.

Em carta enviada aos governos do bloco, Jorgensen recomendou a implementação de um plano de dez pontos elaborado pela Agência Internacional de Energia (AIE). Entre as ações sugeridas estão incentivo ao trabalho remoto, estímulo ao car sharing, maior uso do transporte público, redução do limite de velocidade em rodovias, substituição de consumo de gás de cozinha por energia elétrica e diminuição de viagens aéreas.

O plano da AIE foi originalmente preparado em 2022, no início da guerra na Ucrânia. Agora, a recomendação do comissário surge enquanto ministros de Energia da UE avaliam como enfrentar uma escassez global estimada em 11 milhões de barris de petróleo por dia e mais de 300 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) causada pelo conflito no Irã.

Desde o começo do conflito no Oriente Médio, os preços subiram cerca de 70% para o gás e 60% para o petróleo na União Europeia. Segundo o texto, em 30 dias de conflito essa elevação já adicionou 14 bilhões de euros aos custos de importação de combustíveis fósseis do bloco.

Jorgensen advertiu sobre a duração do impacto: “Não devemos nos iludir: as consequências desta crise para os mercados de energia não serão de curta duração. Porque não serão”. Ele acrescentou que a situação evidencia a vulnerabilidade europeia a choques externos e está ligada à dependência de combustíveis fósseis importados.

Até o momento, nenhum país europeu adotou medidas abrangentes de redução de demanda comparáveis aos racionamentos de gasolina e restrições de circulação implementados durante as crises do petróleo da década de 1970. Na mesma carta, o comissário também recomendou adiar manutenções em refinarias para manter a produção e preparar garantias de armazenamento de gás para o próximo inverno.

Jorgensen apontou que o setor de transportes europeu enfrenta custos crescentes e risco de escassez devido à forte dependência do Golfo Pérsico, que responde por mais de 40% das importações de querosene de aviação e diesel da UE. O comissário afirmou que o risco é agravado pela disponibilidade limitada de fornecedores alternativos e pela capacidade de refino insuficiente para certos produtos dentro do bloco.

“A segurança do abastecimento da União Europeia continua garantida. Mas temos de estar preparados para uma possível interrupção prolongada do comércio internacional de energia”, declarou Jorgensen antes de uma reunião virtual dos ministros da área. “É por isso que precisamos de agir já. E precisamos de agir em conjunto. Só trabalhando em conjunto podemos ser mais fortes e proteger os nossos cidadãos e empresas de forma mais eficaz.”

O receio de um prolongamento do conflito — mencionado no texto como uma guerra lançada pelos EUA e Israel contra o Irã — elevou ainda mais as preocupações. Em determinado momento, o petróleo Brent chegou a 119 dólares por barril, ante cerca de 70 dólares antes da guerra, e alguns analistas alertaram para possibilidade de alta até 200 dólares caso o conflito se agrave.

Em 1º/4, o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou que os problemas de abastecimento de petróleo aumentarão em abril e afetarão a Europa. “A perda de petróleo em abril será o dobro da perda de março, além da perda de GNL”, disse ele em podcast com Nicolai Tangen. Birol acrescentou: “O maior problema hoje é a falta de querosene de aviação e diesel. Estamos vendo isso na Ásia, mas creio que logo, em abril ou maio, chegará à Europa.”

A preocupação persiste mesmo após os 32 membros da AIE liberarem 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas — o maior desbloqueio de estoques da história da agência. Paralelamente, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, alertou que, se a guerra se transformar em um grande conflito regional, os efeitos sobre a Alemanha e a Europa podem superar os registrados durante a pandemia de covid-19 ou no início da guerra na Ucrânia.

As recomendações de Jorgensen e os alertas de líderes e agências internacionais marcam a intensificação dos esforços para que os países europeus reduzam a dependência de combustíveis fósseis importados e se preparem para possíveis interrupções prolongadas no comércio internacional de energia.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também