27.6 C
Uberlândia
domingo, outubro 25, 2026

Universidades dos EUA lançam cursos para formar criadores de conteúdo; polêmica acompanha oferta — 13/08/2026

Universidades oferecem diplomas em criação de conteúdo e enfrentam questionamentos

A Universidade Estadual do Arizona (ASU) lançou uma graduação específica em criação de conteúdo por meio da Walter Cronkite School of Journalism and Mass Communication, enquanto outras instituições nos Estados Unidos já oferecem programas semelhantes. A novidade chega em um momento no qual ser “influenciador” virou aspiração comum entre jovens, mas também gerou críticas sobre o valor prático de um diploma para esta carreira.

O novo curso da ASU compartilha disciplinas com o programa de comunicação de massa e estudos de mídia da universidade, mas inclui um conjunto de eletivas focadas em podcasts, produção em estúdio e atuação diante das câmeras. A instituição recusou pedido de entrevista sobre o lançamento do programa.

Outras faculdades americanas já vinham criando ofertas relacionadas à economia dos criadores: Universidade de Syracuse, Quinnipiac, Universidade Estadual do Colorado e St. Bonaventure — esta última anunciou recentemente uma graduação em criação de conteúdo. Algumas universidades têm certificações ou disciplinas opcionais voltadas ao setor.

Para a pesquisadora Brooke Erin Duffy, professora de comunicação da Universidade Cornell, a expansão dessas graduações indica que instituições começaram a encarar a criação de conteúdo como uma carreira possível, ainda que o termo “influenciador” gere receios. Duffy ressalta que, por trás da imagem pública de sucesso rápido, há trabalho intensivo, dedicação e, muitas vezes, remuneração baixa no início da trajetória.

Pesquisadores do mercado também destacam limites econômicos. Max Willens, analista sênior da Emarketer, afirma que a receita gerada pelos criadores nos EUA deve ultrapassar US$ 20 bilhões neste ano, mas observa que a maior parte desse montante não chega diretamente aos produtores de conteúdo. Segundo ele, é provável que investimentos de marcas em distribuição e ampliação de alcance acabem superando o que os criadores recebem por seus conteúdos.

O custo do ensino nas universidades é outro ponto levantado no debate. Na ASU, a mensalidade básica para moradores do Arizona é de cerca de US$ 12 mil por ano acadêmico, sem bolsas; o custo total anual pode alcançar aproximadamente US$ 37 mil com moradia, alimentação e taxas. Para estudantes de fora do estado, a taxa anual supera US$ 35 mil e o custo total antes de bolsas chega a cerca de US$ 60 mil.

Criadores que já trabalham na área veem utilidade em formações formais. Aiesha Beasley, criadora de conteúdo de Phoenix, foi fotografada filmando detalhes de nachos com guacamole durante a inauguração do Padeland, espaço de padel em Chandler, Arizona, na quinta-feira, 13 de agosto de 2026. Ela afirma que aprender a construir presença digital e marca pessoal pode abrir contatos e oportunidades que valem para outras carreiras.

Sammy Cristerna, criador de conteúdo e ator que se formou na ASU nesta primavera em sociologia e ciência política, disse que teria feito disciplinas do novo programa e até considerado a graduação específica, pois os cursos ensinariam a negociar contratos, monetizar e fidelizar audiência. Ele acrescentou, no entanto, que aspectos como carisma e “boa energia” diante das câmeras são difíceis de ensinar em sala de aula.

As ofertas acadêmicas voltadas à criação de conteúdo continuam a se multiplicar nos EUA, enquanto permanece aberto o debate sobre até que ponto um diploma formal é determinante para o sucesso nas redes.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também