O relatório semestral do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27 aponta uma redução expressiva no superávit mundial de açúcar, sinalizando um mercado global mais apertado e potencial elevação dos preços internacionais.
Segundo análise da SAFRAS & Mercado, o USDA revisou a projeção do excedente global para 4,8 milhões de toneladas, uma queda de 57% em relação à estimativa anterior de 11,4 milhões de toneladas. Para a safra 2025/26, a previsão também foi revista, passando de 11,4 milhões para 6,13 milhões de toneladas, o que reforça a percepção de menor disponibilidade.
Clima afeta oferta e pressiona cotações
O ajuste nas estimativas ocorre em um momento de risco climático em áreas produtoras relevantes. O fenômeno El Niño, com potencial de reduzir as chuvas em partes da Ásia, aumenta a preocupação sobre a produção na Índia e na Tailândia, grandes exportadores de açúcar.
No Brasil, projeções meteorológicas indicam forte aumento das precipitações nos canaviais do Centro-Sul a partir de agosto, condição que pode comprometer tanto a colheita quanto a moagem da cana-de-açúcar. A redução da atividade industrial na temporada tende a influenciar a oferta voltada ao mercado externo.
O USDA estima ainda que a produção mundial de açúcar na safra 2026/27 deve recuar para 184,85 milhões de toneladas, representando uma queda de 0,65% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o consumo global é projetado em 179,99 milhões de toneladas, o que contribui para um balanço mais apertado entre oferta e demanda.
Apesar de um aumento nos estoques globais esperado pelo relatório, a SAFRAS & Mercado considera que esse incremento não será suficiente para compensar a menor produção e a demanda em alta. A relação estoque/consumo deve se elevar, mas, na avaliação citada, permanecerá insuficiente para evitar pressão sobre os preços.
No mercado financeiro, os contratos futuros de açúcar na Bolsa de Nova York já apresentam recuperação, com expectativas de que as cotações possam alcançar entre 18 e 20 cents por libra-peso. O conjunto de fatores aponta para uma trajetória de firmeza nos preços ao longo do segundo semestre de 2026.
Com informações de Uberlandianofoco




