Venezuela recupera ativos no FMI e indica aplicação em áreas sociais e serviços essenciais
A Venezuela informou na sexta-feira (17) que conseguiu a liberação de ativos que estavam congelados no Fundo Monetário Internacional (FMI), em um movimento que marca nova aproximação de Caracas com instituições multilaterais após anos de isolamento financeiro. O comunicado foi feito pela presidenta interina Delcy Rodríguez, que disse que os valores serão usados em investimentos sociais e na restauração de serviços públicos indispensáveis.
Rodríguez explicou que se trata da recuperação de direitos e recursos paralisados no FMI, e não de um novo endividamento. Segundo ela, a quantia liberada será aplicada de forma imediata em melhorias no sistema de energia elétrica, na distribuição de água, em unidades hospitalares e em programas sociais voltados à população.
A dirigente venezuelana qualificou o desbloqueio como uma vitória diplomática que poderá reforçar as reservas internacionais e contribuir para a reorganização de indicadores macroeconômicos. Caracas sustenta que os ativos foram impedidos de circular em meio ao bloqueio financeiro sofrido pelo país nos últimos anos.
As autoridades ainda não divulgaram oficialmente o montante exato recuperado, mas a cifra pode chegar a US$ 5 bilhões em direitos especiais de saque que o país havia solicitado em 2020 e que foram negados no contexto do impasse sobre o reconhecimento do governo venezuelano. Rodríguez também agradeceu publicamente a nações que participaram das negociações, citando entre elas o Brasil.
Em paralelo ao anúncio venezuelano, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que, ao longo dessa reaproximação, a Venezuela poderá vir a ter um programa de apoio financeiro, desde que atenda a um conjunto de condições. Georgieva descreveu o caminho para restaurar a estabilidade macroeconômica e financeira como “muito difícil” e disse que o Fundo já iniciou contatos com representantes de Caracas.
A executiva do FMI ressaltou que uma das prioridades será avaliar a qualidade das estatísticas econômicas venezuelanas, consideradas insuficientes pelo organismo, e que qualquer eventual programa dependerá de um processo complexo, incluindo a análise de uma dívida estimada em mais de US$ 150 bilhões e o fortalecimento das instituições econômicas do país.
No dia anterior, quinta-feira (16), o FMI e o Banco Mundial haviam anunciado o restabelecimento das relações com a Venezuela, interrompidas desde março de 2019. Para o governo venezuelano, o desbloqueio dos ativos abre possibilidades para acelerar investimentos em infraestrutura e aliviar áreas afetadas pela crise econômica e pelas sanções.
Com informações de Uberlandianofoco




