27.5 C
Uberlândia
sábado, outubro 10, 2026

Violência policial marca terceira semana de protestos estudantis na França com feridos graves

Confrontos em Paris e prisões

A atuação da polícia francesa voltou ao centro das atenções na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, durante protestos na praça da Bastilha, em Paris. Um estudante de 14 anos teve a mandíbula e vários dentes quebrados ao ser atingido no rosto por uma granada de gás lacrimogêneo. O policial acusado de efetuar o disparo foi detido e responde por violência praticada por agente público que causou mutilação ou incapacidade permanente.

Contexto e reivindicações

As manifestações reúnem milhares de estudantes, pais e professores e se concentram em reclamações sobre as condições das escolas francesas. Os atos, que começaram em meados de setembro e cresceram no fim do mês, ocorrem em várias regiões do país e envolvem principalmente alunos do ensino médio. Entre as reivindicações estão mais investimentos, a contratação de professores substitutos e a melhoria da infraestrutura dos estabelecimentos de ensino.

Segundo o ministério da Educação, 375 escolas estavam total ou parcialmente fechadas nesta quinta-feira. O ministério do Interior informou que, desde o início dos protestos, 6.629 pessoas haviam sido presas até esta quinta, a maioria delas menor de idade. Durante as mobilizações também foram registrados confrontos, depredações e incêndios em alguns locais.

Ferimentos graves e medidas em investigação

Além do caso em Paris, outras ocorrências com adolescentes feridos aumentaram as críticas à polícia. Em Tours, na região do Loire, um jovem de 16 anos sofreu perda parcial da visão; o Ministério Público local investiga a possibilidade de que o ferimento tenha sido causado por uma munição policial usada no controle dos tumultos. Em Lens, no norte do país, um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos ao tentar lançar uma granada policial de volta contra os agentes na última quarta-feira (8).

Em reação, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, determinou a suspensão temporária do uso de um modelo específico de bombas de atordoamento até que as circunstâncias do caso em Lens sejam esclarecidas. No total, 18 investigações foram abertas para apurar possíveis abusos policiais durante as manifestações.

Reação do governo e panorama político

Os episódios elevaram a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu. O Executivo defende que as forças de segurança atuam quando há violência ou danos ao patrimônio. O ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, deve anunciar as primeiras medidas do governo destinadas aos estudantes no telejornal das 20h da emissora TF1 nesta quinta-feira, segundo informou o gabinete do primeiro-ministro.

As mobilizações também têm impacto político, em um momento em que o presidente Emmanuel Macron se aproxima do fim do mandato e a França se prepara para a eleição presidencial em abril de 2027.

Protestos em outros países

Ao menos 12 atos de apoio ao movimento estudantil foram previstos em diferentes regiões francesas nesta quinta-feira. Sindicatos e grupos políticos aderiram às manifestações, e autoridades relataram a presença de pessoas sem ligação direta com o movimento estudantil.

No exterior, episódios semelhantes ocorreram na Bélgica e na Itália. Em Liège, a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d’água para conter protestos; quase 90 pessoas foram presas e policiais ficaram feridos, e o prefeito proibiu reuniões públicas até a meia-noite de 16 de outubro por risco de novos confrontos. Na Itália, estudantes ocuparam escolas em cidades como Turim, Roma e Nápoles, com reivindicações variadas que incluem melhorias nos prédios escolares, mais investimentos em educação, oposição ao aumento dos gastos militares e críticas a medidas relacionadas à imigração.

Com Reuters, AP, AFP.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também