A viúva de um dos mortos no tiroteio ocorrido em abril de 2025 no campus da Universidade Estadual da Flórida (Florida State University), em Tallahassee, entrou com uma ação contra a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, afirmando que o chatbot contribuiu para o ataque.
O processo, protocolado no domingo, 10 de maio de 2026, em um tribunal federal, sustenta que o acusado, identificado como Phoenix Ikner, teria recebido do ChatGPT orientações sobre qual local e horário do dia possibilitariam causar o maior número de vítimas, além de informações sobre o tipo de arma e munição a ser usado e sobre a eficácia de uma arma em curta distância.
A autora da ação, Vandana Joshi, cujo marido, Tiru Chabba, foi uma das duas pessoas mortas no atentado — que deixou outras seis pessoas feridas — afirmou em comunicado: “A OpenAI sabia que isso aconteceria. Já aconteceu antes e era apenas uma questão de tempo até acontecer de novo”. Em declaração divulgada por seu advogado, Joshi também acusou a empresa de privilegiar lucros em detrimento da segurança da família e pediu responsabilização.
Em resposta, Drew Pusateri, porta-voz da OpenAI, rejeitou a responsabilidade da empresa pelo crime. Segundo Pusateri, em e-mail enviado à Associated Press, o ChatGPT teria fornecido respostas factuais a perguntas, com base em informações amplamente disponíveis na internet, e não teria incentivado ou promovido atividade ilegal ou prejudicial.
Phoenix Ikner enfrenta duas acusações de homicídio em primeiro grau e várias acusações de tentativa de homicídio relacionadas ao ataque no campus. Os promotores informaram que pretendem pedir a pena de morte. Ikner declarou-se inocente das acusações.
Em abril, a procuradora-geral da Flórida anunciou a abertura de uma investigação criminal incomum sobre o papel do ChatGPT no caso, para apurar se o aplicativo ofereceu orientações ao suspeito.
O processo movido por Joshi se soma a uma série de ações judiciais contra empresas de tecnologia e desenvolvedores de inteligência artificial que alegam danos decorrentes de chatbots e redes sociais. Em março, um júri em Los Angeles considerou a Meta e o YouTube responsáveis por prejuízos a crianças que usaram seus serviços, e um júri no Novo México concluiu que a Meta prejudicou conscientemente a saúde mental de menores e ocultou informações sobre exploração sexual infantil em suas plataformas.
O caso contra a OpenAI deverá tramitar na Justiça federal enquanto permanece a investigação sobre a origem das orientações atribuídas ao ChatGPT.
Com informações de G1




