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domingo, novembro 8, 2026

1% mais rico concentra 24,3% da renda no Brasil, diz estudo da Oxfam

Concentração de renda no topo aumenta mesmo com melhora em indicadores sociais

Um relatório da Oxfam Brasil divulgado em 19 de agosto de 2026 mostra que o 1% mais rico da população passou a deter 24,3% de toda a renda do país em 2023, ante 20,4% em 2017. Em termos práticos, isso significa que, de cada R$ 100 recebidos pelos brasileiros, cerca de R$ 24 ficaram com esse grupo restrito, e a maior parte do ganho ocorreu entre o 0,1% mais rico.

O estudo ressalta que a elevação da concentração ocorreu apesar de avanços em indicadores sociais. Em 2024, o rendimento mensal per capita atingiu R$ 2.020, o maior valor da série histórica do IBGE, e o coeficiente de Gini caiu para 0,506, o menor registrado. A diferença de renda entre o 1% mais rico e os 40% mais pobres também foi registrada no menor nível da série.

Segundo a Oxfam, aproximadamente 8,6 milhões de brasileiros deixaram a condição de pobreza, reduzindo a taxa de 27,3% para 23,1% da população. Ainda assim, os ganhos não foram distribuídos de forma uniforme, permitindo que os grupos de mais alta renda aumentassem sua participação na renda nacional.

Quando a análise considera patrimônio — como imóveis, investimentos e outros bens — a concentração cresce: o 1% mais rico detém 37,3% de toda a riqueza declarada no país, segundo o relatório. Para chegar às conclusões, a pesquisa cruzou dados do IBGE, da Receita Federal, do Ministério da Fazenda e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de estudos nacionais e internacionais sobre renda, patrimônio, tributação e representação política.

O documento informa que o Brasil encerrou 2025 como o quarto país com maior desigualdade patrimonial entre 56 mercados analisados, com cerca de 386 mil milionários em dólar. Conforme estudo do banco UBS citado pela Oxfam, o país ganhou 9.215 novos milionários em 2025, totalizando 386 mil pessoas com patrimônio superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões), mantendo-se com o maior número de milionários da América Latina.

A Oxfam critica a estrutura tributária brasileira como regressiva, por incidir mais sobre consumo e salários do que sobre patrimônio e rendimentos do capital. O relatório destaca que a alíquota efetiva do Imposto de Renda cai para 4,6% entre o 0,01% mais rico, principalmente devido à isenção sobre lucros e dividendos e à baixa tributação sobre heranças, o que, segundo a entidade, reduz a capacidade redistributiva do Estado.

No mercado de trabalho formal, homens não negros recebem em média R$ 6.560 por mês, enquanto mulheres negras recebem R$ 3.026; considerando todo o mercado de trabalho, inclusive o informal, a renda média das mulheres negras cai para R$ 2.079.

A pesquisa relaciona também patrimônio com representação política: embora as mulheres componham 52,65% do eleitorado, ocuparam 17% das cadeiras conquistadas nas eleições de 2022, enquanto homens brancos representaram 56,5% dos eleitos. Quase 45% dos eleitos declararam patrimônio superior a R$ 1 milhão, e nenhum candidato ao Senado que declarou patrimônio de até R$ 100 mil foi eleito, aponta o levantamento.

Entre as propostas apontadas pela Oxfam estão tributação de lucros e dividendos, aumento da taxação sobre grandes fortunas e heranças, revisão de benefícios fiscais sem contrapartida social, maior transparência sobre o impacto dos impostos por gênero e raça, regras mais rígidas para lobby e conflitos de interesse, quarentenas para reduzir conflitos entre setor público e privado, ampliação do apoio financeiro a candidaturas de mulheres negras e grupos sub-representados, e melhor integração das emendas parlamentares ao planejamento nacional.

Para a organização, a combinação dessas medidas seria necessária para reduzir a concentração de riqueza e ampliar a representatividade democrática no país.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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