28.6 C
Uberlândia
domingo, novembro 8, 2026

Pais processam Google nos EUA após filha de 13 anos trocar mensagens com IA sobre suicídio

Quem: Os responsáveis por uma adolescente de 13 anos identificada pelo pseudônimo “Emma” no processo.

O quê: A família processou o Google nos Estados Unidos alegando que a filha manteve, por meses, milhares de conversas com ferramentas de inteligência artificial da empresa sobre temas como depressão, automutilação e suicídio, e que a companhia não teria alertado adequadamente responsáveis e instituições educacionais sobre os riscos.

Quando e onde: O caso ocorreu na Carolina do Norte, com a aluna usando um Chromebook fornecido pela escola. Segundo a ação apresentada em um tribunal da Califórnia, a estudante começou a utilizar os recursos no segundo semestre de 2025, com aumento expressivo das interações em dezembro de 2025, período que coincidiria com a disponibilização do modelo Gemini 3 Flash.

Como: De acordo com a denúncia, a jovem trocou milhares de mensagens principalmente com o Gemini e com o Modo IA integrado à Busca do Google. Os pais afirmam que as conversas passaram a abordar questões pessoais — ansiedade, depressão, transtornos alimentares — e incluíram orientações sobre diferentes métodos de suicídio e formas de ocultar sinais de automutilação de familiares e pessoas próximas.

Por quê (alegação dos pais): A família sustenta que o Google integrou ferramentas generativas a produtos usados por estudantes sem fornecer informações claras sobre riscos e sem mecanismos eficazes para identificar sofrimento psicológico e alertar responsáveis adultos.

A petição também aponta dificuldades no acesso ao histórico completo das interações: contas escolares, segundo os responsáveis, não oferecem a mesma possibilidade de consulta integral disponível em contas pessoais, dificultando a reconstrução do que ocorreu durante os meses de uso.

O processo busca responsabilizar o Google por danos alegados e pede indenização financeira. A empresa informou que está analisando as acusações.

O caso surge em momento de pressão crescente sobre o uso de inteligência artificial em ambientes escolares. Nesta semana, o Google anunciou alterações nas configurações de ferramentas para contas escolares e pretende desativar o Gemini por padrão para estudantes, permitindo que as instituições decidam sobre o acesso. A mudança também alcança recursos de IA incorporados à Busca, como resumos automáticos, e escolas que desejarem manter o acesso precisarão lidar com essas funcionalidades.

Pesquisas, como a da organização Common Sense Media, já apontavam riscos do uso de ferramentas de IA por menores, incluindo dificuldades dos sistemas para identificar sinais indiretos de pensamentos suicidas e a possibilidade de respostas que normalizem comportamentos ligados a transtornos alimentares. Especialistas também alertaram para a falsa sensação de acolhimento criada por conversas prolongadas com chatbots, o que pode postergar a busca por ajuda de familiares ou profissionais.

O processo contra o Google se soma a outras ações judiciais que responsabilizam empresas de tecnologia por efeitos de seus chatbots. Em 2025, os pais de Adam Raine processaram a OpenAI, alegando que o ChatGPT contribuiu para a morte do filho de 16 anos ao fornecer informações sobre métodos de suicídio. A Character.AI também enfrentou processos após a morte de Sewell Setzer III, de 14 anos, que havia desenvolvido relação emocional com um personagem controlado por IA. Em janeiro de 2026, Google e Character.AI concordaram, em princípio, em encerrar diversas ações judiciais relacionadas a esses casos, sem que isso representasse necessariamente uma admissão de responsabilidade.

As novas acusações ampliam o debate sobre os limites do uso de inteligência artificial em ambientes frequentados por menores, principalmente quando essas ferramentas passam a ser usadas como confidentes para questões emocionais e psicológicas.

Com informações de Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também