China inclui 10 empresas americanas em lista de controle de exportações
A China adicionou dez empresas dos Estados Unidos à sua lista de controle de exportações, informou o Ministério do Comércio chinês. O governo afirma que as companhias têm vínculos com as Forças Armadas americanas e, por isso, ficam sujeitas à suspensão imediata das exportações de itens de dupla utilização.
Entre as empresas citadas estão produtoras do setor de terras raras — MP Materials Corp. e USA Rare Earth, Inc. — e a fabricante de motores Aveox, Inc. Segundo o comunicado oficial, a MP Materials, que conta com apoio do Pentágono e opera a única mina ativa de terras raras nos EUA, e a USA Rare Earth atuam em segmentos que vão da extração mineral à produção de ímãs.
O governo chinês explicou que “itens de dupla utilização” são bens e tecnologias concebidos para fins civis, mas que também podem ter aplicações militares. A nova medida proíbe que organizações ou indivíduos de qualquer país transfiram ou forneçam a essas empresas produtos originários da China classificados como de dupla utilização. Transações de exportação em andamento devem ser interrompidas imediatamente, informou o ministério.
Na prática, a decisão representa uma proibição total das exportações desses produtos para as companhias listadas, substituindo regras anteriores que apenas exigiam a obtenção de licenças de exportação. O ministério justificou a ação como resposta às “práticas maliciosas do governo dos EUA”, declarando que a medida visa proteger a segurança e os interesses nacionais e cumprir obrigações internacionais relacionadas à não proliferação.
Separadamente, o Ministério das Finanças da China anunciou sanções contra outras 46 empresas americanas, barrando compradores chineses de adquirirem produtos dessas companhias. O comunicado ressalta, no entanto, que empresas com capital dos EUA que já operam na China permanecem autorizadas a comprar desses fornecedores.
Washington havia anunciado nas últimas semanas restrições a companhias chinesas. Há duas semanas, os Estados Unidos colocaram Alibaba, Baidu, BYD e NIO em uma lista de empresas que, segundo o governo americano, estariam auxiliando atividades militares de Pequim. Em 8 de junho, o Departamento de Guerra dos EUA atualizou uma relação com 188 empresas que considera ligadas ao Exército chinês, incluindo nomes do setor de tecnologia como Baidu, Unitree, Robosense Technology, Alibaba, CXMT, YMTC, BYD, WuXi AppTec e Baicells.
O Departamento de Guerra informou que, em razão de nova legislação, a partir do final de junho não poderá contratar diretamente empresas presentes nessa lista e, a partir de 2027, não poderá adquirir seus produtos e serviços por meio de terceiros. A inclusão na lista americana não impõe sanções automáticas, mas pode acarretar prejuízos nas relações comerciais e com fornecedores do governo dos EUA.
A Embaixada da China em Washington criticou a prática de criação de listas discriminatórias contra empresas chinesas, pedindo que os EUA cessem ações consideradas errôneas. Empresas chinesas incluídas na lista americana, como BYD, Alibaba, WuXi AppTec e Baidu, afirmaram à Reuters que a designação carece de fundamento e anunciaram intenção de contestar as colocações.
O anúncio chinês ocorre menos de um mês depois do encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim, realizado em 13 de maio de 2026. O encontro trocou elogios entre os líderes, mas não conseguiu resolver impasses em temas sensíveis, como a questão de Taiwan.
Empresas americanas listadas pela China: Aveox, Inc.; Red Cat Holdings, Inc.; Teal Drones, Inc.; IMSAR, LLC (EUA); Jaia Robotics, Inc.; Ball Aerospace & Technologies Corp.; Oshkosh Defense, LLC; L3 Harris Maritime Services, Inc.; MP Materials Corp.; USA Rare Earth, Inc.
As medidas entram em vigor conforme o anúncio do Ministério do Comércio e do Ministério das Finanças da China.
Com informações de G1




